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Alta dos alimentos pode impulsionar varejo, avalia JPMorgan

JP Morgan mantém visão cautelosa para o varejo alimentar, mas aponta melhora gradual nas vendas

O JP Morgan revisou suas projeções para o setor de varejo alimentar brasileiro após os resultados do primeiro trimestre de 2026 e manteve preferência pelas ações do Assaí em relação ao Grupo Mateus, mesmo diante de um cenário ainda considerado desafiador para o segmento.

Segundo relatório liderado pelo analista Joseph Giordano, o setor continua operando em ambiente de cautela por causa dos juros elevados e da pressão sobre a renda disponível das famílias, embora a aceleração da inflação de alimentos possa melhorar o desempenho operacional das varejistas ao longo do segundo semestre.

O banco avalia que a inflação de alimentos deve sair de uma faixa entre 0% e 2% para algo próximo de 7% até o fim de 2026, movimento que tende a favorecer o crescimento das vendas em mesmas lojas, indicador conhecido no setor pela sigla SSS.

Apesar disso, os analistas alertam que a elasticidade da demanda continua sendo um risco importante, já que o consumidor brasileiro ainda enfrenta perda de poder de compra em meio ao custo elevado do crédito.

“A inflação de alimentos continua surpreendendo para cima e ultrapassando as expectativas, impulsionada pelo aumento dos preços no atacado, com potencial adicional de alta caso o fenômeno climático El Niño se mostre mais forte do que o esperado”, afirmou o banco no relatório.

Na avaliação do JP Morgan, o Assaí segue sendo a empresa mais exposta positivamente a uma eventual aceleração inflacionária no segmento alimentar.

Ainda assim, o banco observa que o desempenho operacional da companhia continua fraco no curto prazo. Para o segundo trimestre, a expectativa é de retração de 0,9% nas vendas em mesmas lojas, com recuperação gradual apenas na segunda metade do ano, quando o indicador poderia avançar para cerca de 2%.

Os analistas destacam que a melhora potencial nas vendas ainda não foi incorporada de maneira relevante nas projeções devido à baixa visibilidade sobre comportamento de consumo e volumes em um cenário de preços mais altos.

Além da inflação, o relatório ressalta que juros elevados por mais tempo seguem pressionando o setor.

Segundo o banco, um cenário de inflação mais persistente poderia adiar novos cortes da taxa Selic, afetando principalmente empresas mais alavancadas.

No caso do Assaí, parte desse impacto poderia ser compensada por uma monetização mais forte de créditos tributários de PIS/Cofins, contribuindo para a desalavancagem financeira da companhia.

O JP Morgan projeta crescimento de aproximadamente 3% nas vendas brutas do Assaí em 2026, desconsiderando os efeitos do ICMS-ST.

A margem Ebitda ajustada pré-IFRS 16 deve permanecer estável em 5,8%, enquanto o lucro líquido ajustado é estimado em cerca de R$ 800 milhões neste ano, considerando Selic média de 14,2%.

Para 2027, a projeção é de lucro próximo de R$ 1,3 bilhão, em um cenário de juros médios ao redor de 12,2%.

Mesmo mantendo preferência relativa pelas ações do Assaí dentro do setor, o JP Morgan reduziu o preço-alvo dos papéis de R$ 11 para R$ 10 para dezembro de 2026.

Segundo os analistas, a revisão ocorreu principalmente devido ao aumento do custo de capital e ao cenário de juros mais altos por um período prolongado.

O banco afirmou ainda que as projeções de Ebitda permaneceram praticamente inalteradas, mas as estimativas de lucro por ação para 2026 e 2027 foram reduzidas em 7% e 9%, respectivamente.

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