Nos últimos anos, uma mudança silenciosa vem acontecendo no mercado brasileiro. Depois de um longo período em que inovação, tecnologia e crescimento acelerado dominaram as estratégias empresariais, investidores e empreendedores voltaram a olhar com mais atenção para algo que nunca perdeu relevância: os ativos reais.
Terras, imóveis, empreendimentos de hospitalidade e ativos produtivos voltaram a ganhar espaço nas carteiras e nos planos de expansão de empresas. Não apenas como instrumentos de proteção patrimonial, mas como mecanismos capazes de gerar receita, valorização e crescimento sustentável no longo prazo.
Os números ajudam a explicar esse movimento. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o mercado imobiliário brasileiro manteve trajetória positiva mesmo em um ambiente de juros elevados. Apenas no primeiro trimestre de 2025, as vendas de imóveis cresceram 15,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, demonstrando a resiliência do setor mesmo diante de um cenário econômico mais desafiador.
No mercado financeiro, o interesse por ativos imobiliários também segue em expansão. Dados da B3 mostram que os fundos imobiliários encerraram 2025 com quase 3 milhões de investidores, consolidando o segmento como uma das principais portas de entrada para quem busca exposição ao mercado imobiliário.
Mais do que uma tendência momentânea, esse movimento reflete uma mudança de mentalidade.
Durante muito tempo, o mercado premiou velocidade. Hoje, vemos empresários e investidores buscando equilíbrio entre crescimento, geração de caixa e construção de patrimônio. Em outras palavras, a discussão deixou de ser apenas sobre quanto uma empresa cresce e passou a incluir como esse crescimento é sustentado ao longo do tempo.
Foi justamente essa visão que orientou a estratégia do Grupo Learn. Ao longo dos últimos anos, estruturamos nossa atuação com base na identificação de ativos com potencial de valorização e na criação de operações capazes de ampliar esse valor. Nossa tese é simples: ativos reais, quando combinados com gestão eficiente, tecnologia e visão de longo prazo, podem gerar resultados consistentes mesmo em cenários de maior volatilidade econômica.
Um exemplo é o Maranatha Suítes, empreendimento hoteleiro desenvolvido em Campo Grande (MS). Desde o início, o objetivo não era apenas construir um hotel, mas criar um ativo capaz de gerar renda recorrente, contribuir para a revitalização urbana e impulsionar a economia local.
O projeto já registra crescimento operacional desde sua inauguração e, ao mesmo tempo, gerou mais de 100 empregos durante sua construção, além de estimular melhorias urbanas e novos investimentos em seu entorno.
Esse é um dos aspectos mais interessantes dos ativos reais: eles produzem impacto além do balanço financeiro. Movimentam cadeias produtivas, criam oportunidades de emprego, impulsionam o desenvolvimento regional e contribuem para a valorização das áreas onde estão inseridos.
O mesmo acontece no setor imobiliário. O consumidor atual não busca apenas um imóvel. Busca qualidade de vida, experiência e conexão com o ambiente. Essa transformação ajuda a explicar o crescimento de projetos ligados ao turismo, à sustentabilidade e à segunda moradia.
É nessa direção que estamos investindo no desenvolvimento de novos empreendimentos, como um condomínio eco-sustentável em Campos do Jordão (SP), projeto que prevê investimento de R$ 25 milhões e Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em R$ 51 milhões.
No agronegócio, a lógica é semelhante. Além da produção, as terras continuam sendo ativos estratégicos de valorização patrimonial. Quando combinadas a tecnologia, eficiência operacional e gestão profissional, tornam-se plataformas relevantes de geração de valor.
Acredito que estamos entrando em um novo ciclo empresarial. Um ciclo em que inovação continua sendo fundamental, mas em que a construção de patrimônio volta a ocupar um papel central na estratégia dos negócios.
Isso não significa escolher entre tecnologia e ativos reais. Pelo contrário. Os negócios mais resilientes do futuro serão aqueles capazes de combinar os dois elementos.
Em um ambiente econômico cada vez mais complexo, os ativos reais recuperam protagonismo porque oferecem algo que continua sendo extremamente valioso para investidores e empreendedores: previsibilidade, geração de valor e capacidade de atravessar diferentes ciclos de mercado.
Por Rafael Rocha, sócio-fundador, diretor e vice-presidente de operações do Grupo Lear.









