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BTG reforça compra de Axia Energia e vê potencial de alta de 26%

Banco destaca continuidade da estratégia, queda da alavancagem e foco em transmissão como pilares da tese de investimento em Axia Energia

O BTG Pactual reiterou sua recomendação de compra para as ações da Axia Energia (AXIA3) e reforçou a visão positiva para a companhia após uma reunião com Elio Wolff, que assumirá a presidência da empresa em abril de 2027, sucedendo Ivan Monteiro. Para o banco, a mudança de comando tende a preservar a estratégia atual da companhia, mantendo o foco em disciplina financeira, expansão dos investimentos e remuneração aos acionistas.

O banco estabeleceu preço-alvo de R$ 74 para os próximos 12 meses, o que representa um potencial de valorização de aproximadamente 26,1% em relação à cotação de R$ 58,68 considerada no relatório. Na avaliação dos analistas Antonio Junqueira, Gisele Gushiken e Maria Schutz, a companhia reúne uma combinação rara de baixo endividamento, crescimento operacional e elevado potencial de distribuição de dividendos.

Segundo o BTG, um dos principais diferenciais da tese está justamente na remuneração aos acionistas. A instituição avalia que o cronograma de resgate das ações da classe Axia7 tem avançado mais lentamente do que o esperado, o que pode concentrar pagamentos relevantes ao longo dos próximos seis meses. Caso isso ocorra, os investidores poderão receber tanto valores referentes ao resgate ainda pendente quanto os dividendos relativos aos próximos trimestres.

Nas projeções do banco, a Axia poderá entregar um dividend yield de 10,5% em 2027, considerando uma distribuição integral do lucro aos acionistas. Mesmo em uma metodologia mais conservadora, o retorno estimado com dividendos permanece elevado, em torno de 9,2%, reforçando a atratividade da companhia para investidores que buscam geração recorrente de renda.

Outro ponto que sustenta a recomendação positiva é a trajetória de desalavancagem da empresa. O BTG estima que a relação entre dívida líquida e Ebitda caia de aproximadamente 3 vezes em 2025 para 1,5 vez em 2026, chegando a 1,1 vez em 2027. Ao mesmo tempo, o banco projeta expansão significativa dos resultados, com lucro líquido estimado em R$ 10,7 bilhões em 2026, avançando para R$ 16,9 bilhões em 2027.

Na reunião com os analistas, Elio Wolff indicou que a palavra que melhor resume a próxima fase da companhia é “continuidade”. Segundo o executivo, não há intenção de alterar os princípios que orientam a política de alocação de capital, investimentos e distribuição de dividendos, preservando a estratégia implementada nos últimos anos.

Os investimentos deverão permanecer concentrados na expansão e modernização da rede de transmissão de energia. De acordo com o BTG, o orçamento destinado a esse segmento passou de aproximadamente R$ 2 bilhões para um intervalo entre R$ 5 bilhões e R$ 5,5 bilhões, refletindo a intenção da companhia de ampliar sua capacidade operacional após superar gargalos relacionados a sistemas internos, processos e controles.

Na área de geração, a estratégia seguirá focada na otimização do atual portfólio de hidrelétricas. Entre as alternativas analisadas estão projetos de usinas reversíveis, instalação de novas turbinas e expansão da capacidade instalada em empreendimentos já existentes. A companhia também demonstrou interesse em participar de eventuais relicitações de hidrelétricas, desde que os ativos ofereçam retorno compatível com seus critérios de investimento.

Por outro lado, Wolff descartou, neste momento, novos investimentos em usinas térmicas e afirmou que a internacionalização não faz parte das prioridades da empresa. Segundo ele, o mercado brasileiro ainda oferece oportunidades suficientes para sustentar o crescimento da companhia.

O executivo também afirmou que a demanda por energia elétrica deverá continuar avançando nos próximos anos, cenário que tende a favorecer os preços do setor. Na comercialização de energia, a estratégia será ampliar a duração dos contratos sempre que os compradores aceitarem preços considerados adequados pela empresa. Já as negociações envolvendo projetos de data centers seguem em andamento, embora o BTG avalie que dificilmente haverá avanços relevantes no curto prazo.

Para o banco, a combinação entre valuation atrativo, redução consistente da alavancagem, crescimento dos lucros e forte capacidade de distribuição de dividendos faz da Axia Energia uma das principais teses do setor elétrico, especialmente em um ambiente marcado por maior volatilidade nos mercados brasileiros.

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