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Havanna Brasil entra em recuperação extrajudicial

Processo de recuperação extrajudicial da Havanna reúne seis empresas do grupo e prevê deságio de 95% para parte dos credores

A operação brasileira da rede argentina de cafeterias Havanna está em processo de recuperação extrajudicial, em uma medida voltada à reestruturação financeira das empresas controladas pelo empresário Marcos Rothenberg. Embora o pedido tenha sido protocolado no fim de 2025, o plano de recuperação foi apresentado à Justiça apenas no primeiro semestre deste ano e tramita na 1ª Vara Regional de Competência Empresarial de São Paulo.

O processo reúne seis empresas do grupo econômico, entre elas a DGA Doces Del Plata, responsável pela administração das franquias da Havanna no Brasil, e a Café Del Plata, empresa que opera as lojas da marca no país. Segundo a petição apresentada à Justiça, a operação da Havanna não enfrenta dificuldades financeiras próprias e continua registrando crescimento, tendo sido incluída no processo por integrar a estrutura societária do grupo e atuar como avalista das obrigações assumidas pelas demais empresas.

De acordo com a documentação judicial, a principal origem da crise financeira está ligada à Fragrance, marca de perfumes pertencente ao mesmo grupo empresarial. A companhia foi fortemente impactada pela pandemia de Covid-19, já que mais de 90% de seus pontos de venda funcionam em shopping centers. O grupo afirma que grande parte das dívidas foi contraída quando a taxa Selic estava abaixo de 3% ao ano e sofreu forte encarecimento com o ciclo de alta dos juros iniciado em 2022, elevando significativamente o custo financeiro das operações.

Além da interdependência financeira entre as empresas, outro fator contribuiu para a inclusão da Café Del Plata no processo. A companhia respondia a um pedido de falência movido pela fabricante de chocolates Top Cau, em razão de notas fiscais em aberto que somam aproximadamente R$ 4,18 milhões. Na própria petição, o grupo reconhece que a recuperação extrajudicial também se tornou necessária para impedir o avanço desse processo e preservar a continuidade das atividades.

Em nota, a Havanna afirmou que a recuperação decorre exclusivamente de obrigações assumidas por outras empresas do grupo controlador e ressaltou que sua operação brasileira permanece financeiramente saudável. Segundo a companhia, o objetivo é evitar que passivos solidários comprometam o relacionamento com fornecedores, franqueados e parceiros comerciais.

A empresa também destacou que segue executando seu plano de expansão no Brasil. Apenas no primeiro semestre de 2026 foram inauguradas mais de 30 novas unidades, e a meta permanece alcançar mais de 700 pontos de venda até 2030, além de ampliar a presença da marca no varejo alimentar por meio da expansão da linha de produtos à base de doce de leite.

O plano de recuperação apresentado à Justiça prevê condições bastante distintas para os credores. Para os chamados credores concursais, a proposta estabelece um deságio de 95%, o que significa que eles receberão apenas 5% do valor original dos créditos. O pagamento ocorreria após um período de carência de 12 meses e seria realizado em dez parcelas anuais, corrigidas pela Taxa Referencial (TR) mais juros de 1% ao ano.

Já os credores que aceitarem aportar novos recursos ao grupo por meio da modalidade conhecida como DIP Financing — financiamento concedido durante processos de recuperação —, bem como aqueles classificados como parceiros estratégicos, receberão integralmente seus créditos, remunerados à taxa de CDI mais 9% ao ano. O grupo pretende captar até R$ 2,5 milhões por meio dessa modalidade.

Entre os principais credores listados no processo está o Explorer Fundo de Investimento, com cerca de R$ 45,8 milhões a receber. Também figuram a EDEC Comércio de Perfumes e Cosméticos, com aproximadamente R$ 16 milhões, e o Multiplica Long Term, com créditos de R$ 12,1 milhões.

As seis empresas foram reunidas em consolidação substancial, mecanismo utilizado quando diferentes companhias de um mesmo grupo apresentam elevado grau de integração operacional e financeira. Segundo a petição, elas compartilham garantias cruzadas em operações de crédito contratadas junto ao Banco do Brasil, Banco Pine e Banco Sofisa, justificando a condução conjunta da reestruturação.

Apesar do processo judicial, a Havanna sustenta que a operação da marca no Brasil permanece em crescimento e que a recuperação extrajudicial busca justamente preservar esse desempenho, isolando a atividade principal dos impactos financeiros provocados pelas demais empresas do grupo controlador.

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