O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa básica de juros de 14,25% para 14% ao ano, mantendo o ciclo de flexibilização da política monetária iniciado neste ano. O corte de 0,25 ponto percentual era amplamente esperado pelo mercado financeiro e levou a Selic ao menor patamar desde março de 2025.
Esta foi a quarta reunião consecutiva em que o colegiado promoveu uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica. A decisão ocorre em um cenário de desaceleração gradual da inflação e de melhora nas expectativas dos agentes econômicos para os próximos anos, embora os indicadores ainda permaneçam acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial para a inflação, desacelerou de 4,72% para 4,64% no acumulado de 12 meses até junho. Já as projeções compiladas pelo Relatório Focus indicam expectativa de inflação de 5,03% para 2026, quinta queda semanal consecutiva, enquanto a estimativa para 2027 permaneceu em 4,22%. Ambos os índices seguem acima da meta contínua de 3%, cujo intervalo de tolerância vai até 4,5%.
Na reunião anterior, realizada em junho, o Copom havia sinalizado que o ritmo e a extensão do ciclo de cortes dependeriam da evolução dos indicadores econômicos e das expectativas para a inflação. Na ocasião, o colegiado afirmou que a magnitude total do processo de ajuste seria definida conforme novas informações, com o objetivo de garantir a convergência da inflação para a meta.
A decisão anunciada nesta quarta-feira confirmou a avaliação predominante entre economistas e instituições financeiras. Levantamento realizado pelo Valor ouviu 113 bancos, gestoras e consultorias, dos quais 110 projetavam uma redução de 0,25 ponto percentual, enquanto apenas três esperavam a manutenção da taxa em 14,25% ao ano.
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Alterações na taxa básica influenciam o custo do crédito, a remuneração das aplicações em renda fixa, o consumo das famílias, os investimentos das empresas e o desempenho da atividade econômica.
O próximo encontro do Comitê de Política Monetária está marcado para os dias 15 e 16 de setembro.









