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Galípolo vê demanda forte e defende Selic em nível restritivo

Presidente do Banco Central diz que Selic restritiva busca equilibrar oferta e demanda e alerta para avanço do endividamento e da inadimplência

A manutenção da Selic em nível elevado está ligada principalmente aos desequilíbrios internos da economia brasileira, e não ao cenário internacional, avaliou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, nesta segunda-feira (17).

Durante a 27ª Conferência Anual do Santander, em São Paulo, Galípolo afirmou que o país atravessa um período de pleno emprego, crescimento econômico e demanda acima da capacidade de oferta. Essa combinação, segundo ele, ajuda a explicar a necessidade de uma política monetária restritiva para conter as pressões inflacionárias.

“O que explica o ciclo da política monetária está muito mais relacionado com questões endógenas, internas mesmo”, afirmou.

Para o presidente do BC, a função dos juros neste momento não é estimular uma expansão baseada em consumo, mas contribuir para reequilibrar oferta e demanda. Galípolo argumentou que um crescimento mais forte e duradouro dependerá de ganhos de produtividade, capazes de elevar a capacidade de produção sem alimentar a inflação.

O cenário externo também permanece como fonte de pressão. Segundo ele, economias como Estados Unidos, Alemanha e Japão passaram a disputar liquidez global de forma mais intensa, movimento que pode afetar as condições financeiras de países emergentes.

Galípolo também demonstrou preocupação com a evolução do crédito no Brasil. O aumento simultâneo do endividamento, da inadimplência e do comprometimento da renda ganha peso adicional em um ambiente de juros elevados.

O presidente do BC destacou especialmente o uso de modalidades mais caras, como cartão rotativo e empréstimos sem garantia. Segundo ele, parte dos consumidores brasileiros ingressa diretamente nessas linhas emergenciais, enquanto o limite do cartão acaba sendo interpretado como extensão da renda disponível.

Ao tratar da atuação institucional do Banco Central, Galípolo afirmou que a autoridade monetária deve permanecer concentrada em seu mandato, sem avançar sobre atribuições do governo. “O papel do Banco Central é defender o seu quadrado e defender que o seu não seja invadido, mas também não exorbitar o que é a função dele”, disse.

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