As taxas do Tesouro Direto recuaram nesta segunda-feira (17), acompanhando a valorização do real e a divulgação de dados de atividade abaixo do esperado. O IBC-Br, considerado uma prévia do PIB, caiu 0,6% em junho, ante expectativa de retração de 0,53%, embora tenha avançado 0,2% no segundo trimestre.
Nos prefixados, o Tesouro 2029 oferecia 14,34% ao ano às 15h35, ante 14,42% na sexta-feira. O Prefixado 2032 caiu de 14,81% para 14,73%, enquanto o vencimento 2037 com juros semestrais passou de 14,84% para 14,78%. Entre os títulos atrelados à inflação, o IPCA+ 2032 recuou de 8,17% para 8,15%, e o IPCA+ 2050, de 7,40% para 7,35%.
O movimento reflete a percepção de que uma atividade econômica mais fraca pode ampliar o espaço para redução dos juros. O Boletim Focus manteve a projeção da Selic em 13,75% no fim de 2026, ante os atuais 14%, e a estimativa de inflação em 5,02%. Para 2027, a projeção do IPCA subiu pela quarta semana consecutiva, para 4,24%, enquanto a previsão de crescimento do PIB recuou para 1,50%.
Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, avalia que a combinação entre dólar mais fraco e atividade abaixo das expectativas pressiona a curva de juros e reforça a possibilidade de cortes adicionais da taxa Selic. Nos vencimentos mais longos, porém, permanecem as preocupações com o risco fiscal e a trajetória da dívida pública brasileira.
O cenário externo também limita a queda das taxas longas. O rendimento dos Treasuries americanos de 30 anos avançou para 5,31%, maior nível desde 2007, diante das preocupações com gastos públicos, emissão de dívida e inflação nos Estados Unidos. A pressão externa ajuda a manter elevada a inclinação da curva de juros, mesmo com o alívio observado nos vencimentos mais curtos no Brasil.









