A fortuna dos três integrantes da família controladora do Grupo Mateus que aparecem no ranking de bilionários brasileiros da Forbes caiu 53,8% em um ano. O patrimônio conjunto passou de R$ 11,9 bilhões em 2025 para R$ 5,5 bilhões em 2026, uma redução de R$ 6,4 bilhões.
A maior perda foi registrada por Ilson Mateus Rodrigues, fundador do grupo. Aos 63 anos, o empresário aparece no levantamento com patrimônio estimado em R$ 3,5 bilhões, ante R$ 7,7 bilhões no ano passado. A queda foi de 54,5%.
Os filhos do empresário também tiveram redução expressiva. Denilson Pinheiro Rodrigues, de 38 anos, e Ilson Mateus Rodrigues Júnior, de 42, aparecem com R$ 1 bilhão cada. Em 2025, a Forbes estimava em R$ 2,1 bilhões a fortuna individual dos dois. Os três são os únicos representantes do Maranhão no ranking de bilionários brasileiros deste ano.
Outra mudança ocorreu com Maria Barros Pinheiro, mãe de Denilson e Ilson Júnior. Ela aparecia na edição de 2025 com patrimônio superior a R$ 2,3 bilhões, mas deixou de constar na lista de 2026.
A redução das fortunas acontece em um período de maior pressão sobre o Grupo Mateus, uma das maiores companhias de varejo alimentar do Norte e Nordeste. Nos primeiros meses de 2026, a empresa promoveu o desligamento de mais de 6 mil funcionários em seis dos nove Estados onde atua. O grupo atribuiu as medidas a ajustes operacionais e à busca por uma estrutura financeira mais eficiente.
O conglomerado também enfrenta disputas tributárias relevantes. Em junho, a Receita Federal aplicou autuação de R$ 1,28 bilhão à subsidiária Armazém Mateus por uma discussão envolvendo a exclusão de créditos presumidos de ICMS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. O grupo já havia recebido, em setembro de 2024, outra autuação de R$ 1,06 bilhão relacionada ao mesmo tema.
Paralelamente, a companhia reorganizou sua presença no Nordeste. A bandeira Grupo Mateus deixou de ser utilizada na Paraíba, em Pernambuco e em Alagoas, onde as operações passaram a ser concentradas no Novo Atacarejo, rede pernambucana adquirida pelo grupo no fim de 2024.
A queda no patrimônio estimado pela Forbes ocorre, portanto, em meio a um período de ajustes operacionais, reorganização regional e pressões tributárias para a companhia. O ranking mede a riqueza estimada dos empresários e não representa, necessariamente, dinheiro disponível ou perda financeira realizada, já que parte relevante dessas fortunas está associada ao valor das participações societárias.









