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Risco institucional e juros altos pressionam mercado na reta final de 2026

Tensão no STF, disparada do endividamento público e seca no mercado de capitais acendem alerta para investidores

Com o avanço do calendário rumo ao pleito eleitoral de 2026, a combinação de incertezas políticas, juros altos, compressão do consumo e risco fiscal crescente transformou a gestão de patrimônio em uma tarefa complexa. A escalada das tensões institucionais no país passou a ter impacto direto na percepção de risco e na atratividade de investimentos.

Em análise sobre a conjuntura atual, o economista Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, avalia que a deterioração do ambiente político trava a entrada de capital produtivo no país. “Toda incerteza institucional trava investimentos. O país, no momento em que precisa de investimentos, não consegue obtê-los porque está em uma encruzilhada relacionada com a política”, afirma Mendlowicz.

Tensão em Brasília reflete na precificação do risco-país

O agravamento das disputas jurídicas e políticas no Supremo Tribunal Federal (deflagrado pela retirada do sigilo de inquéritos e atritos públicos entre ministros) ultrapassou as divisas de Brasília e ganhou repercussão nos principais jornais internacionais. Segundo o economista, a falta de previsibilidade das regras do jogo assustam os grandes investidores institucionais e estrangeiros.

“Se você é um japonês pensando em investir em uma ferrovia no Brasil e vê que tudo é na base da ‘negociata’, você fala: ‘Não quero me meter nesse país’. No mundo civilizado, a preocupação é que, se a questão institucional implodir, nada aconteça”, pondera o Economista Sincero. Para Mendlowicz, esse ambiente de desalento reverbera na volatilidade dos ativos e na precificação do risco Brasil.

A consequência prática da instabilidade institucional e da taxa Selic mantida em patamares elevados é a paralisia do mercado de capitais. Mendlowicz chama a atenção para o impacto da recente seca prolongada de ofertas públicas iniciais na B3. “Passamos por um longo período sem novos IPOs no Brasil, quebrado após 4 anos em maio deste ano, com o IPO da Compass, da Cosan. As empresas vão até a bolsa para pegar dinheiro, investir e crescer. No entanto, o que tem predominado são as operações de fechamento de capital e recompras”, aponta.

O cenário para a economia real é igualmente desafiador. O custo do crédito elevado desacelera o consumo, amplia a inadimplência e pressiona o setor produtivo. “O juro alto encarece o custo de empréstimos. Com isso, é mais caro expandir negócios. A maior preocupação das instituições financeiras hoje é fiscal e também a questão da inadimplência”, adverte Charles Mendlowicz.

Postura estratégica em tempos de crise

Apesar da desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) (que, segundo o IBGE, cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 na comparação com os três primeiros meses do ano) e do aumento do endividamento estatal, o economista reforça que momentos de incerteza profunda não devem induzir a decisões precipitadas ou ao abandono do planejamento de longo prazo.

O sócio da Ticker Wealth explica que para proteger o patrimônio diante do ruído eleitoral, o investidor deve focar na disciplina, na diversificação de ativos e na constante educação financeira. “A economia vai piorar se nada acontecer, mas nós temos que fazer o nosso papel: estar bem-informados, estudar e continuar investindo e trabalhando. Há saída, mas é preciso agir com responsabilidade”, conclui o Charles Mendlowicz.

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