A Petrobras pode distribuir cerca de US$ 3,8 bilhões em dividendos ordinários referentes ao terceiro trimestre, mesmo diante de uma piora esperada no resultado operacional. A projeção é da XP, que estima uma distribuição ligeiramente superior aos US$ 3,4 bilhões do trimestre anterior e equivalente a um dividend yield de aproximadamente 2,8%.
A expectativa de aumento dos proventos ocorre apesar da previsão de queda de cerca de US$ 2 bilhões no Ebitda entre o segundo e o terceiro trimestre. Os analistas Regis Cardoso e Enzo Sozzi calculam que o indicador deverá alcançar US$ 17,8 bilhões no período.
Parte da pressão vem do comportamento do petróleo. A XP projeta preço médio próximo de US$ 96 por barril para o Brent datado no terceiro trimestre, aproximadamente US$ 9 abaixo do registrado nos três meses anteriores. O efeito negativo deverá ser parcialmente compensado pelo avanço da produção.
A corretora estima crescimento de cerca de 5% na produção média da Petrobras na comparação trimestral, impulsionado principalmente pelo aumento dos volumes no campo de Búzios. O avanço, porém, não seria suficiente para impedir a redução do Ebitda.
Outro fator relevante é a diferença entre a movimentação dos derivados no mercado internacional e os preços realizados pela Petrobras no Brasil. No trimestre, o diesel no exterior acumulava alta de US$ 19 por barril, para US$ 175, enquanto a gasolina avançava US$ 4, para US$ 141 por barril.
A Petrobras, entretanto, manteve maior estabilidade nos preços domésticos. Mesmo considerando os subsídios governamentais, a XP calcula que o preço realizado médio do diesel deverá recuar US$ 12, para US$ 138 por barril. Na gasolina, a projeção é de aumento de US$ 8, para US$ 95.
Apesar da redução esperada no resultado operacional, a geração de caixa poderá apresentar melhora. Segundo a XP, a Petrobras já recebeu aproximadamente US$ 1,5 bilhão no trimestre relacionado a subsídios acumulados no período anterior.
Ao mesmo tempo, os subsídios referentes ao próprio terceiro trimestre são estimados em US$ 3,2 bilhões antes dos recebimentos líquidos. Como esses recursos deverão ser pagos posteriormente, a diferença tende a consumir capital de giro no período.
É nesse cenário que a XP projeta US$ 3,8 bilhões em dividendos ordinários, correspondentes a cerca de US$ 0,59 por ADR da Petrobras. Para a corretora, esse potencial de distribuição não estaria integralmente refletido no mercado de opções.
O relatório cita contratos que embutiriam aproximadamente US$ 0,18 por ADR em dividendos para vencimento em 18 de dezembro e US$ 0,41 para 15 de janeiro. A diferença pode estar relacionada, entre outros fatores, à incerteza sobre a data em que as ações passarão a ser negociadas sem direito aos proventos.
A XP também considera possível uma distribuição extraordinária no fim de novembro ou início de dezembro, depois da apresentação do Plano de Negócios. Essa hipótese, porém, não integra o cenário principal da corretora e contrasta com as indicações recentes da administração da Petrobras de que atualmente não haveria espaço para dividendos extraordinários.
O calendário preliminar prevê a divulgação dos resultados do terceiro trimestre em 10 de novembro. Os valores efetivamente distribuídos dependerão dos números apurados pela companhia, de sua política de remuneração aos acionistas e das decisões dos órgãos de administração da Petrobras.










