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XP vê sinais de esgotamento da demanda por imóveis de alta renda em SP

Concorrência pressiona imóveis populares, enquanto juros elevados limitam demanda na média e alta renda, segundo avaliação da XP sobre dados do Secovi

O mercado imobiliário da cidade de São Paulo chegou ao fim do primeiro semestre com aumento dos estoques e menor velocidade de vendas. O movimento foi mais evidente nos imóveis de baixa renda, enquanto os juros elevados continuam dificultando a recuperação dos segmentos de média e alta renda, segundo análise da XP Investimentos baseada nos dados de junho do Secovi.

No segmento de baixa renda, que concentra empreendimentos associados ao Minha Casa Minha Vida, o estoque disponível alcançou o equivalente a 8,3 meses de vendas. O indicador estima quanto tempo seria necessário para comercializar as unidades disponíveis caso o ritmo atual de vendas fosse mantido.

A velocidade de vendas desse segmento caiu para 11,6%. Segundo a XP, o aumento dos estoques ocorre em um ambiente de maior concorrência, com incorporadoras tradicionalmente concentradas na alta renda aumentando a participação de marcas populares em seus lançamentos.

Esse movimento amplia a quantidade de empreendimentos disputando compradores em um segmento que tem sido um dos principais motores do mercado residencial, favorecido pelas condições de financiamento e pelos subsídios vinculados ao Minha Casa Minha Vida.

Na média e alta renda, o estoque permaneceu praticamente estável na comparação com o mesmo período do ano anterior. A velocidade de vendas, entretanto, caiu para 5,7%, indicando maior dificuldade para absorver as unidades disponíveis.

Para a XP, a dinâmica desse segmento é diferente. Mesmo com redução dos lançamentos, os estoques e a velocidade de comercialização ainda não apresentaram melhora relevante, cenário que a corretora associa a sinais de esgotamento da demanda.

Os juros elevados são apontados como uma das principais restrições. O custo maior do financiamento imobiliário reduz a capacidade de compra e torna as condições de crédito menos favoráveis, especialmente entre consumidores que dependem de parcelas maiores para adquirir imóveis fora dos programas habitacionais.

A diminuição dos novos lançamentos, portanto, ainda não foi suficiente para acelerar a venda do estoque existente. Os dados mostram um mercado dividido: enquanto a baixa renda enfrenta maior oferta e concorrência, a média e alta renda continuam pressionadas pela demanda mais fraca e pelo custo do crédito.

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