A perspectiva de juros menores combinada a uma desaceleração da economia brasileira em 2027 levou o Itaú BBA a destacar empresas com receitas mais previsíveis e menor dependência do ciclo econômico. Entre as ações analisadas, os potenciais de valorização estimados pelo banco chegam a 70%.
A estratégia está concentrada nas chamadas bond proxies, companhias que apresentam algumas características semelhantes às de ativos de renda fixa no longo prazo. São empresas geralmente associadas a fluxos de caixa mais estáveis, contratos de longa duração ou receitas menos sensíveis às oscilações da atividade econômica.
Esse perfil tende a ganhar relevância quando os juros reais recuam. Taxas menores reduzem o custo de capital utilizado na avaliação das empresas e também diminuem a atratividade relativa da renda fixa, fatores que podem favorecer determinados segmentos da Bolsa.
Entre as ações analisadas, o Itaú BBA aponta a Energisa (ENGI11) com potencial de valorização de 70% e a Equatorial (EQTL3), de 66%. As duas estão inseridas no setor elétrico, uma das áreas consideradas mais adequadas pelo banco para esse cenário.
A Eneva (ENEV3) também aparece entre os destaques, com potencial de alta estimado em 13%. Já para a Axia Energia (AXIA3), o BBA chama atenção para a perspectiva de dividend yield médio de 12,5% entre 2026 e 2029.
Fora do setor elétrico, a Multiplan (MULT3) é a escolha destacada entre as operadoras de shopping centers. O banco cita a qualidade dos ativos, a maior exposição ao consumidor de renda elevada e uma taxa interna de retorno real próxima de 11%.
No segmento de transportes, a preferência recai sobre a Ecorodovias (ECOR3). O Itaú BBA considera que o tráfego relativamente resiliente e as receitas corrigidas pela inflação dão maior previsibilidade ao negócio, característica relevante em um ambiente de crescimento econômico mais fraco.
Nas telecomunicações, o cenário é mais cauteloso. O banco mantém avaliação neutra para Vivo (VIVT3) e TIM (TIMS3), diante do aumento da competição e das incertezas sobre a recuperação do mercado. Entre as duas, porém, a preferência relativa é pela Vivo, devido à maior exposição aos consumidores de renda elevada e ao dividend yield estimado próximo de 8% em 2026.
A TIM apresenta dividend yield projetado em aproximadamente 12%, mas o BBA aponta desempenho mais fraco na evolução da base de assinantes. O rendimento projetado com dividendos, portanto, não é suficiente para afastar as preocupações dos analistas com a dinâmica operacional da companhia.
O relatório também chama atenção para empresas que podem enfrentar riscos específicos em 2027. Rumo (RAIL3) e Hidrovias do Brasil (HBSA3), mais expostas ao transporte de commodities agrícolas, poderiam ter seus volumes pressionados caso o El Niño prejudique a produção e o fluxo de grãos.
A seleção mostra que o Itaú BBA não trata a queda dos juros como um fator positivo de maneira uniforme para todas as ações. A preferência está concentrada em negócios com receitas previsíveis, menor sensibilidade à desaceleração econômica e capacidade de se beneficiar da redução do custo de capital. Os potenciais de valorização e dividend yields apresentados são estimativas do banco e não representam garantia de retorno.










