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BTG lança carteira com bitcoin e ouro que ajusta risco automaticamente

Estratégia combina bitcoin e Pax Gold e reduz o peso do ativo mais volátil; simulação de R$ 10 mil chegou a R$ 227,9 mil em dez anos

O BTG Pactual lançou uma carteira de reserva de valor que combina bitcoin e ouro tokenizado e altera automaticamente o peso de cada ativo conforme sua volatilidade. A estratégia estreou em setembro com 41,26% em bitcoin e 58,74% em Pax Gold (PAXG), token lastreado em ouro físico.

A diferença entre as participações é resultado do modelo de controle de risco adotado pelo banco. A carteira é rebalanceada trimestralmente e reduz a exposição ao ativo que tiver apresentado maior volatilidade nos 90 dias anteriores.

Segundo relatório assinado por Matheus Parizotto, head de Digital Assets Research do BTG Pactual, uma divisão simples de 50% em bitcoin e 50% em ouro faria com que a criptomoeda respondesse por aproximadamente 90% do risco total da carteira, devido à sua maior oscilação histórica.

A estratégia também procura explorar o comportamento diferente dos dois ativos. Entre fevereiro de 2016 e agosto de 2026, a correlação entre bitcoin e ouro ficou em 0,11 e foi baixa ou negativa em 78% das janelas móveis de 12 meses analisadas pelo banco. Na avaliação do BTG, essa característica aumenta o potencial de diversificação.

Em uma simulação retrospectiva realizada pela instituição, R$ 10 mil aplicados na estratégia em janeiro de 2016 teriam se transformado em R$ 227.941 em agosto de 2026. O mesmo valor aplicado exclusivamente em ouro teria alcançado R$ 53.775.

O banco também calculou o risco enfrentado durante esse período. A maior queda da carteira simulada teria sido de 33,26%, enquanto o bitcoin isoladamente chegou a registrar perda máxima de 81,47%.

Outro teste incorporou a estratégia a um portfólio brasileiro formado por CDI, títulos públicos, Ibovespa e fundos imobiliários. Na simulação entre 2020 e julho de 2026, destinar até 15% da carteira à combinação de bitcoin e ouro, reduzindo proporcionalmente a exposição a ações, teria aumentado o retorno e diminuído tanto a volatilidade quanto a maior perda acumulada do portfólio de referência.

Os números, entretanto, não correspondem ao desempenho real da nova carteira. O próprio BTG ressalta que os resultados anteriores ao lançamento são simulações baseadas em dados históricos e foram calculados sem considerar custos, impostos e taxas. Rentabilidade passada ou simulada também não garante desempenho futuro.

A combinação tampouco elimina riscos. Bitcoin e ouro podem registrar quedas simultâneas, enquanto o uso do PAXG acrescenta exposição ao emissor do token, ao custodiante do ouro físico e à infraestrutura tecnológica utilizada nas transações.

A carteira pode ser negociada 24 horas por dia e tem liquidação D+0. Não há cobrança de taxa de administração ou custódia, mas as movimentações estão sujeitas à corretagem. A estratégia amplia a oferta de produtos que combinam ativos digitais e tradicionais, mas sua adequação depende do perfil de risco e dos objetivos de cada investidor.

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