O Itaú BBA lançou uma carteira recomendada de ações formada exclusivamente por ETFs e BDRs de ETFs, com 71% dos recursos direcionados ao exterior. Batizada de Itaú Ações pelo Mundo, a estratégia reúne 11 fundos negociados em reais na B3 e dá exposição indireta a mais de 800 empresas.
A maior parcela está nos Estados Unidos, que concentram 59% da alocação. Outros 12% ficam na Ásia e 29% são destinados ao mercado brasileiro. Como todos os ativos podem ser comprados na B3, o investidor não precisa abrir conta no exterior nem realizar remessas internacionais para acessar as exposições globais.
O principal componente é o SPXR11, ETF que acompanha o S&P 500 com proteção contra a variação do dólar e representa 30% da carteira. Outros 41% estão distribuídos em temas que o banco considera de crescimento de longo prazo, como inteligência artificial e semicondutores, defesa e aeroespacial, tecnologia em saúde e utilities americanas ligadas ao aumento da demanda por energia dos data centers.
A estratégia inclui ainda exposição às bolsas da Coreia do Sul e de Taiwan. Segundo Victor Natal, estrategista de ações para pessoa física do Itaú BBA, a utilização dos ETFs permite acessar setores e tendências globais que têm pouca ou nenhuma representação direta entre as companhias listadas no mercado brasileiro.
No Brasil, o banco optou por não concentrar toda a exposição no Ibovespa. Dos 29% destinados ao mercado doméstico, 10% estão no DIVO11, 8% no BOVV11, 6% no MATB11 e 5% no FIND11. Dessa forma, a carteira amplia a participação de empresas ligadas a dividendos, materiais básicos e setor financeiro.
A exposição cambial também varia dentro da estratégia. Embora os 30% aplicados no SPXR11 tenham proteção contra as oscilações do dólar, outros ativos internacionais não contam com esse mecanismo. Na composição inicial, aproximadamente 41% da carteira permanece exposta à moeda americana, podendo ser beneficiada pela desvalorização do real ou afetada por sua valorização.
A taxa média de administração dos 11 fundos, ponderada pelos respectivos pesos, é de 0,36% ao ano. A composição será revisada mensalmente e poderá mudar de acordo com o cenário e as avaliações da equipe de estratégia do banco.
Segundo o Itaú BBA, o S&P 500 negocia atualmente perto de 19 vezes o lucro projetado, abaixo das 23 a 24 vezes alcançadas anteriormente. Na Ásia, os modelos do banco apontam múltiplo próximo de cinco vezes para a Coreia do Sul e de 18 vezes para Taiwan. Já a bolsa brasileira estaria cerca de 15% abaixo da média histórica dessa relação.
O banco classifica a carteira para investidores de perfil arrojado ou agressivo e com horizonte de longo prazo. O material considera possíveis quedas superiores a 13% em períodos de três meses e ressalta que a estratégia não deve ser utilizada como reserva de emergência.
Em uma simulação com dados dos últimos 36 meses, a composição teria apresentado retorno anualizado de 23,3%. O resultado é teórico e baseado no comportamento passado dos ativos, não representando garantia ou projeção de rentabilidade futura.










