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Inadimplência em condomínios bate recorde e chega a 12,5% no Brasil

Levantamento da uCondo mostra avanço dos atrasos e alta de 30,3% no valor médio do condomínio desde 2022, pressionando moradores e caixas

O atraso no pagamento das taxas de condomínio atingiu o maior nível desde 2022 no Brasil. No primeiro semestre de 2026, 12,5% das cobranças permaneceram sem pagamento por mais de 30 dias, segundo levantamento da uCondo, empresa de tecnologia para gestão condominial. O avanço ocorre em um período de juros elevados e maior comprometimento do orçamento das famílias.

A série mostra que a inadimplência ganhou força principalmente nos últimos dois anos. No primeiro semestre de 2022, 9,72% das taxas estavam atrasadas há mais de 30 dias. O percentual caiu para 8,65% na segunda metade daquele ano, mas voltou a subir para 9,14% e 9,92% nos dois semestres de 2023. Em 2024, permaneceu próximo de 10%, antes de avançar para 11,95% no primeiro semestre de 2025 e 11,66% no segundo.

O indicador desconsidera atrasos de até 30 dias, buscando separar dificuldades financeiras mais persistentes de esquecimentos ou problemas pontuais de pagamento. Na comparação entre o primeiro semestre de 2022 e o mesmo período de 2026, a inadimplência passou de 9,72% para 12,5%, crescimento de 2,78 pontos percentuais.

A situação varia significativamente entre as regiões. O Norte apresenta o maior índice, com 19,09% das taxas em atraso superior a 30 dias. O Nordeste aparece em seguida, com 12,71%, pouco acima do Sudeste, com 12,28%. No Sul, a taxa é de 11,61%, enquanto o Centro-Oeste registra o menor percentual, de 8,52%.

Segundo Léo Mack, cofundador e diretor de operações da uCondo, as diferenças regionais refletem níveis distintos de pressão sobre a renda das famílias. Com crédito mais caro e maior comprometimento do orçamento, despesas recorrentes passam a disputar espaço com outros gastos essenciais, o que pode aumentar a dificuldade para manter o condomínio em dia.

Ao mesmo tempo em que os atrasos avançaram, o valor das taxas também aumentou. A média nacional chegou a R$ 538 no primeiro semestre de 2026, contra R$ 516 no mesmo período de 2025 e R$ 413 no primeiro semestre de 2022. Desde o início da série, portanto, a cobrança média acumulou alta de 30,3%.

O impacto da inadimplência não fica restrito ao morador que deixou de pagar. Condomínios precisam manter despesas recorrentes com limpeza, segurança, manutenção, água, energia, funcionários e contratos terceirizados. Quando parte das receitas previstas não entra no caixa, aumenta a diferença entre o orçamento aprovado e os recursos efetivamente disponíveis para bancar esses serviços.

O levantamento também acompanhou o destino das dívidas para identificar quanto do atraso acaba sendo regularizado posteriormente. No segundo semestre de 2025, 11,66% das taxas estavam inadimplentes havia mais de 30 dias. Ao acompanhar esses débitos até julho de 2026, o percentual ainda pendente caiu para 9,74%.

A redução de 1,92 ponto percentual significa, segundo os cálculos da uCondo, que 16,46% dos débitos inicialmente registrados foram recuperados posteriormente. O dado mostra que parte dos moradores consegue regularizar a situação, mas a maior parcela das dívidas acompanhadas permaneceu em aberto no período analisado.

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