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Economista ligado a Flávio diz que corte de gastos não basta

Marcelo Kayath defende ajuste temporário nas contas públicas, preservação dos programas sociais e crescimento de 3% a 4% para equilibrar o orçamento federal

O economista Marcelo Kayath, apontado como um dos possíveis nomes para comandar o Ministério da Fazenda em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), considera que a recuperação do crescimento econômico é fundamental para solucionar o desequilíbrio fiscal brasileiro. Em entrevista à CNN Brasil, nesta quarta-feira (7), o ex-diretor do Credit Suisse afirmou que a redução das despesas públicas deve fazer parte de um processo temporário de reorganização das contas, mas não pode ser tratada como solução definitiva.

“O problema do Brasil só vai ser resolvido com o crescimento. O problema fiscal do Brasil não vai ser resolvido com corte de gasto”, declarou. Segundo Kayath, o ajuste permitiria criar condições para que o Banco Central reduzisse os juros, favorecendo a retomada da atividade econômica. Ele comparou esse período a uma manutenção necessária antes de o país voltar a acelerar.

Na avaliação do economista, dependendo das condições econômicas, o Brasil poderia alcançar taxas de crescimento entre 3% e 4% em um intervalo de um a três anos. Esse desempenho, segundo ele, permitiria construir uma solução mais permanente para as dificuldades fiscais, uma vez que a expansão da economia tende a favorecer a arrecadação e melhorar a relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB).

Kayath ressaltou, entretanto, que as medidas de contenção de despesas precisam ser seletivas e preservar os programas sociais. Para ele, a população de menor renda não deve suportar os primeiros efeitos de uma política de ajuste. “Em um país desigual como o Brasil, a gente não pode partir e começar um ajuste com os mais pobres e mais necessitados que têm que sofrer primeiro”, afirmou.

Ao explicar a necessidade de medidas temporárias, o economista também comparou o ajuste fiscal a uma visita ao dentista: um procedimento desconfortável, mas necessário para alcançar benefícios posteriores. Na sua avaliação, a reorganização econômica poderia criar condições para ampliar oportunidades, empregos e renda. Apesar disso, não especificou quais despesas seriam reduzidas nem esclareceu se uma eventual administração de Flávio Bolsonaro apresentaria uma proposta de emenda à Constituição, semelhante a uma PEC da transição, para viabilizar mudanças na gestão dos recursos públicos.

As declarações ocorrem durante a disputa presidencial de segundo turno, depois de Flávio Bolsonaro terminar a primeira votação à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A campanha de reeleição do petista passou a explorar a possibilidade de que uma vitória do adversário resulte no encerramento de programas sociais, incluindo o Bolsa Família. O candidato do PL nega essa intenção.

Questionado sobre a possibilidade de assumir o Ministério da Fazenda caso Flávio seja eleito, Kayath afirmou que nunca discutiu cargos com o candidato. Segundo ele, qualquer definição sobre a composição de um eventual governo deve ocorrer somente depois da eleição, considerando o resultado das urnas e a maioria política conquistada.

“Nunca conversei com o candidato Flávio Bolsonaro sobre cargos, nunca tivemos essa conversa e sinceramente o momento não é de falar em cargos… vamos esperar a eleição passar, ver como a eleição termina, como se elegeu e com qual maioria”, declarou.

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