O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que pretende transformar a Caixa Econômica Federal em um instrumento de financiamento e incentivo ao empreendedorismo nas periferias brasileiras, caso vença o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro. A proposta envolve a oferta de crédito com juros reduzidos, capacitação profissional e estímulos à formalização de pequenos negócios.
Durante encontro com aliados no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (9), o senador apresentou a iniciativa como parte de sua estratégia econômica para ampliar as oportunidades de geração de renda entre a população de menor poder aquisitivo.
Ao defender a mudança no papel do banco público, Flávio utilizou uma comparação com duas das maiores instituições financeiras privadas do país.
“A Caixa Econômica Federal vai ser o banco da prosperidade. Vai ser o Itaú da favela, o Bradesco da periferia. O que é isso? Vamos levar conhecimento para que elas possam abrir as próprias empresas, possam se formalizar. Vamos reduzir impostos, vamos dar financiamento barato. Vamos dar prosperidade”, declarou.
A proposta apresentada pelo candidato prevê utilizar a estrutura da Caixa para facilitar o acesso de moradores das periferias a serviços financeiros e recursos destinados à abertura e ao desenvolvimento de atividades produtivas.
Segundo Flávio, a ampliação do financiamento seria acompanhada de iniciativas de qualificação e orientação para que os beneficiários possam estruturar seus próprios empreendimentos e ingressar na economia formal.
O candidato não detalhou, durante o encontro, quais seriam as linhas de crédito oferecidas, os limites de financiamento, as taxas de juros ou os mecanismos de custeio necessários à implementação da política.
A Caixa já atua no financiamento habitacional, na concessão de crédito e na execução de políticas públicas federais. A proposta de Flávio, conforme apresentada, busca ampliar sua utilização como agente de incentivo ao empreendedorismo nas comunidades de baixa renda.
Além de anunciar a iniciativa, o senador criticou a condução da política econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente a utilização de medidas fiscais e de crédito para estimular o consumo e a atividade econômica.
Flávio afirmou que pretende priorizar o crescimento baseado no aumento da produtividade, em oposição ao modelo que atribui à atual administração federal.
“A economia vai ser baseada na produtividade. E não como o atual governo está fazendo, de enxertar R$ 350 bilhões na economia só para tentar se reeleger. A consequência disso é inflação”, declarou.
A referência aos R$ 350 bilhões foi apresentada pelo candidato como crítica ao conjunto de medidas econômicas adotadas pelo governo. Ele não detalhou, na declaração reproduzida, a composição do valor nem os critérios utilizados para relacioná-lo aos efeitos inflacionários mencionados.
As críticas também alcançaram as medidas anunciadas pelo governo federal para reduzir os custos dos combustíveis.
Nesta sexta-feira, a gestão Lula anunciou a renovação e a ampliação da desoneração de tributos federais incidentes sobre etanol e gasolina, além da criação de uma subvenção específica para a importação de diesel.
Flávio questionou a duração dos incentivos e afirmou que o encerramento das medidas poderia provocar aumento dos preços pagos pelos consumidores após a eleição.
Segundo o candidato, os subsídios associados ao diesel teriam impacto aproximado de R$ 2 por litro e poderiam deixar de vigorar em 25 de outubro, data do segundo turno.
“O Lula, pela Petrobras, deu subsídio de aproximadamente R$ 2 no preço do diesel. Sabe quando que acaba? No dia 25 de outubro. No dia seguinte da eleição, o preço nas bombas pode subir R$ 2”, afirmou.
A declaração representa uma avaliação do candidato sobre os possíveis efeitos do encerramento dos incentivos. O material apresentado não demonstra que haveria necessariamente um reajuste automático de R$ 2 por litro no dia seguinte à eleição.
O preço final dos combustíveis depende de diferentes componentes, incluindo valores praticados pelos produtores e importadores, tributos, custos de distribuição e margens de comercialização. Por isso, o eventual término de uma medida de incentivo não determina, isoladamente, a magnitude de uma alteração nas bombas.
Durante o encontro, Flávio também procurou esclarecer sua posição sobre os programas federais de transferência de renda e assistência à população.
O senador voltou a negar que pretenda extinguir iniciativas como o Bolsa Família e o Farmácia Popular, afirmando que sua proposta é preservar os benefícios e combiná-los com políticas de capacitação e inserção produtiva.
“Vou garantir o Bolsa Família para quem precisa, mas vou fazer muito mais. Eu vou garantir que você tenha capacitação, com qualificação. Eu vou fazer o maior programa de mobilidade social do Brasil”, declarou.
Na avaliação do candidato, o acesso ao crédito, a formação profissional e o incentivo à abertura de empresas seriam instrumentos para ampliar a renda das famílias atendidas por políticas sociais.
Ele também voltou a criticar a estratégia de combate à pobreza adotada pelo governo Lula, defendendo que as transferências de renda sejam acompanhadas de medidas capazes de estimular a autonomia econômica dos beneficiários.
As declarações foram feitas durante a reta final da campanha presidencial, em que Flávio Bolsonaro e Lula disputam o apoio dos eleitores para o segundo turno.
A utilização da Caixa como instrumento de financiamento de pequenos empreendedores, a manutenção dos programas sociais e as críticas aos incentivos sobre combustíveis compõem parte das diferenças de abordagem econômica apresentadas pelo candidato do PL.









