ArtigosNotícias

Juros altos e endividamento devem frear economia brasileira, diz CEO

Pedro Ricco aponta combinação de crédito restritivo, menor capacidade de consumo das famílias e cautela nos investimentos como fatores para desaceleração

A perspectiva de crescimento mais moderado da economia brasileira passa por uma combinação de fatores que afetam famílias, empresas e diferentes setores produtivos. Para Pedro Ricco, CEO do Delta Global Bank, o ambiente de juros elevados é um dos elementos centrais para compreender esse movimento, já que os efeitos de uma política monetária restritiva chegam à economia de maneira gradual.

“Um dos principais fatores é o ambiente de juros elevados no Brasil e o efeito defasado dessa política sobre a atividade econômica. Com uma política monetária ainda bastante restritiva, o crédito fica mais caro, o consumo perde força e esses efeitos acabam chegando à produção e ao crescimento do PIB”, afirma Ricco.

Na avaliação do executivo, o impacto pode ser percebido diretamente no orçamento das famílias. Com níveis elevados de endividamento e crédito mais caro, uma parcela maior da renda passa a ser direcionada ao pagamento de compromissos financeiros, reduzindo a capacidade de consumo.

Esse cenário também provoca uma mudança no perfil dos gastos. Produtos considerados supérfluos perdem espaço para itens essenciais, enquanto hábitos como alimentação fora de casa podem ser substituídos pelo consumo doméstico.

“Quando o orçamento fica mais pressionado, existe uma mudança na matriz de consumo. As famílias passam a priorizar produtos básicos e reduzem despesas que podem ser adiadas. Isso diminui a circulação de recursos em diferentes setores e ajuda a explicar uma atividade econômica mais fraca”, explica.

Incerteza também segura investimentos

Do lado das empresas, Ricco avalia que a menor previsibilidade sobre a economia tende a tornar as decisões de investimento mais cautelosas. Projetos podem ser divididos em etapas, reduzidos ou adiados até que haja maior clareza sobre demanda, custos e condições de financiamento.

“Quando o empresário tem menos visibilidade sobre os próximos meses e encontra um mercado de baixo crescimento, existe uma tendência de fragmentar ou postergar investimentos. Isso acaba afetando a expansão da produção e, consequentemente, a capacidade de geração de atividade econômica”, afirma.

O crédito é outro componente relevante. Segundo o CEO do Delta Global Bank, uma eventual melhora das condições financeiras não chega imediatamente à ponta. Bancos também consideram inadimplência, risco das operações e capacidade de pagamento antes de definir as condições oferecidas a consumidores e empresas.

“Existe uma defasagem entre uma mudança nas condições macroeconômicas e aquilo que efetivamente aparece na contratação de crédito. Enquanto os indicadores de inadimplência e risco permanecerem pressionados, as instituições financeiras incorporam esse cenário às suas decisões”, explica.

Para Ricco, a retomada mais consistente dos investimentos depende de uma combinação de maior previsibilidade econômica, redução do custo do crédito e melhora das condições para empresas e consumidores.

“Não existe uma fórmula única. Medidas que aumentem a previsibilidade das contas públicas, reduzam custos e contribuam para um ambiente de crédito menos pressionado podem ajudar a estimular investimentos. É preciso que essas condições avancem conjuntamente para que o efeito chegue à indústria, ao varejo e ao agronegócio”, conclui.

Postagens relacionadas

1 of 732