A B3 começou a negociar nesta terça-feira (13) quatro novos contratos futuros vinculados aos títulos da dívida pública dos Estados Unidos, ampliando as alternativas disponíveis no Brasil para investidores interessados em acompanhar ou se posicionar diante das oscilações dos juros americanos. Os produtos permitem realizar operações em diferentes prazos, desde dois anos até vencimentos superiores a 20 anos, sem a necessidade de transferir recursos para o exterior.
A novidade complementa o contrato futuro de Treasury de 10 anos (T10), já negociado na Bolsa brasileira, e amplia a cobertura da curva de juros dos Estados Unidos. Com isso, investidores e gestores passam a contar com instrumentos adicionais para proteção de carteiras, operações direcionais e estratégias que envolvem diferenças entre taxas de diferentes vencimentos.
Os lançamentos incluem os futuros de US Treasury Note de 2 anos (T02), US Treasury Note de 5 anos (T05), US Treasury Note de 10 anos Ultra (T1U) e US Treasury Bond (TBN), este último associado a títulos de prazos mais longos, superiores a 20 anos.
O contrato de dois anos possui valor de face de US$ 200 mil, enquanto os demais têm valor de face de US$ 100 mil. Esses montantes representam o valor de referência dos contratos, não necessariamente o capital que o investidor precisa desembolsar para realizar uma operação.
Embora as cotações sejam expressas em dólares, os resultados dos ajustes diários são convertidos em reais pela PTAX, taxa de câmbio calculada e divulgada pelo Banco Central.
Outra característica é a liquidação exclusivamente financeira. Diferentemente de contratos negociados no mercado americano que podem envolver a entrega dos títulos, os novos futuros da B3 não exigem a transferência física de Treasuries. O encerramento das obrigações ocorre por meio de compensação monetária, calculada com base nos índices da família B3 Dívida Externa Americana, correspondentes a cada segmento de vencimento.
Segundo Marcos Skistymas, diretor de Produtos Listados da B3, a ampliação da oferta busca aproximar os investidores brasileiros do mercado internacional de renda fixa.
“Os novos contratos futuros atrelados aos títulos da dívida dos EUA representam mais um passo de conexão dos investidores brasileiros ao mercado global, permitindo a exposição estratégica em diferentes prazos, seja para buscar proteção para carteiras ou se posicionar sobre os movimentos dos juros americanos dentro da infraestrutura da B3, sem a necessidade de enviar recursos ao exterior”, afirma.
Os Treasuries são títulos emitidos pelo governo dos Estados Unidos para financiar suas atividades e constituem referências importantes para a formação das taxas de juros internacionais. Seus rendimentos influenciam o custo de financiamento de empresas e governos, além das decisões de alocação de recursos nos mercados globais.
O lançamento dos novos contratos ocorre em um período de elevação das taxas de juros americanas. Em 16 de setembro, o Federal Reserve aumentou a taxa básica em 0,25 ponto percentual, estabelecendo uma faixa de 3,75% a 4% ao ano, em resposta às pressões inflacionárias.
A mudança nas condições monetárias também apareceu nos rendimentos dos títulos públicos. Segundo dados do Tesouro dos Estados Unidos, a taxa de referência das Treasuries de 10 anos passou de 4,78% ao ano, em 4 de setembro, para 5,31% em 5 de outubro.
Na mesma data, os rendimentos dos títulos de dois e 30 anos estavam em 4,84% e 5,66% ao ano, respectivamente.
Essas variações são relevantes para as operações com futuros porque os preços dos títulos prefixados e as taxas de juros de mercado apresentam, em geral, movimentos inversos. Quando os rendimentos exigidos pelos investidores aumentam, os preços dos títulos já emitidos tendem a cair. Quando as taxas recuam, os preços desses papéis tendem a subir.
Essa relação permite utilizar os contratos futuros tanto para buscar ganhos com movimentos esperados dos juros quanto para reduzir riscos de posições já existentes.
Um investidor que acredita em uma queda das taxas americanas pode comprar futuros de Treasuries para tentar se beneficiar de uma valorização dos títulos. Em sentido contrário, a venda de contratos pode ser utilizada por quem espera elevação dos juros e consequente queda dos preços.
A mesma lógica pode ser aplicada à proteção de carteiras. Um gestor que possui exposição a títulos americanos pode vender futuros para tentar compensar parte das perdas provocadas por uma eventual alta das taxas de mercado.
A disponibilidade de contratos com diferentes prazos também abre espaço para estratégias relacionadas ao formato da curva de juros. É possível, por exemplo, combinar posições nos futuros de dois e dez anos para negociar mudanças na diferença entre os rendimentos desses vencimentos.
O resultado dessas operações depende da direção e da intensidade das oscilações do mercado, além das características de cada contrato e da adequação da estratégia à exposição do investidor.
Com a estreia dos quatro produtos, a B3 amplia a oferta de derivativos internacionais negociados em sua infraestrutura, permitindo que participantes do mercado brasileiro acompanhem diferentes segmentos da dívida pública americana por meio de contratos com liquidação financeira em reais.










