A Apple encerrou o pregão desta quarta-feira (14) com valor de mercado superior a US$ 5 trilhões pela primeira vez, tornando-se a segunda empresa dos Estados Unidos a alcançar esse patamar no fechamento das negociações. A fabricante do iPhone passou a integrar um grupo até então ocupado exclusivamente pela Nvidia, que permanece na liderança entre as companhias mais valiosas do país.
As ações da Apple avançaram 0,5%, para US$ 342,96, estabelecendo um novo recorde de fechamento e elevando a capitalização da empresa a US$ 5,005 trilhões. A Nvidia, por sua vez, está avaliada em aproximadamente US$ 5,3 trilhões.
Embora os papéis da Apple já tivessem levado a companhia acima dos US$ 5 trilhões em seis ocasiões durante o horário regular de negociação, esta foi a primeira vez que o valor de mercado permaneceu acima desse nível no encerramento de um pregão.
O desempenho ocorreu em uma sessão negativa para as ações de tecnologia nos Estados Unidos. O índice Nasdaq Composite recuou 1,9%, enquanto a Apple contrariou o movimento predominante do setor.
A resistência dos papéis está associada, em parte, à estratégia de investimentos da companhia. Enquanto outras gigantes de tecnologia destinam recursos elevados à construção de infraestrutura para inteligência artificial, a Apple mantém uma abordagem mais moderada, com desembolsos de capital inferiores aos de suas principais concorrentes. Essa diferença contribui para preservar seu fluxo de caixa livre, fator valorizado pelos investidores em períodos de maior cautela.
No acumulado de 2026, as ações da Apple registram valorização de 26%, desempenho superior à alta de 13% do S&P 500. O avanço também reflete as expectativas em torno da renovação de sua linha de produtos, especialmente no segmento de smartphones, que continua respondendo pela maior parte da receita da companhia.
O principal teste para a manutenção desse desempenho será o lançamento do iPhone Duo, primeiro smartphone dobrável da Apple. Anunciado em setembro, o aparelho estará disponível para pré-venda nesta sexta-feira (16), com lançamento oficial previsto para 23 de outubro.
O modelo representa uma das mudanças mais significativas no formato físico do iPhone desde sua criação e será o smartphone mais caro já comercializado pela empresa, com preço inicial de US$ 1.999.
A expectativa em torno do produto ganhou importância diante dos sinais de demanda abaixo do esperado pelo iPhone 18 Pro, lançado no mês passado. Analistas de Wall Street consideram a possibilidade de que parte dos consumidores esteja adiando a troca de aparelho para aguardar a chegada do modelo dobrável.
A confirmação dessa hipótese dependerá do desempenho comercial do iPhone Duo. Caso as vendas não correspondam às expectativas, o mercado poderá rever suas projeções para a receita da Apple, pressionando as ações após a forte valorização acumulada no ano.
Com isso, o lançamento terá peso relevante na avaliação dos investidores sobre a capacidade da companhia de sustentar seu valor de mercado acima de US$ 5 trilhões, especialmente em um ambiente de maior seletividade para as ações das grandes empresas de tecnologia.










