O Mercado Livre pretende encerrar 2026 com 72 centros logísticos de grande porte em funcionamento no Brasil, um crescimento de 39% em relação ao ano anterior. A expansão prevê a abertura de 20 novas unidades até dezembro, com o objetivo de aumentar a capacidade de distribuição de mercadorias e reduzir os prazos de entrega aos consumidores.
O planejamento foi apresentado nesta quarta-feira (14) por Luiz Augusto Vergueiro, diretor sênior de operações logísticas da companhia, durante o Tech Day da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), realizado no Rio de Janeiro.
Atualmente, a empresa administra mais de 3,3 milhões de metros quadrados de área logística no país. A estrutura permite que 59% das entregas rápidas nas capitais brasileiras sejam concluídas até o dia seguinte. Em São Paulo, esse percentual chega a 75%, segundo dados divulgados pela companhia.
A ampliação da rede faz parte da estratégia de fortalecer a infraestrutura própria de distribuição, considerada um dos principais fatores de competitividade no comércio eletrônico. Durante a apresentação, Vergueiro destacou que a previsibilidade das entregas passou a influenciar diretamente a experiência de compra e a confiança dos consumidores nas plataformas digitais.
A estrutura atual representa uma mudança significativa em relação ao início do Mercado Envios, em 2013, quando a empresa dependia principalmente dos Correios para transportar os pedidos. Desde então, o Mercado Livre desenvolveu uma rede que reúne centros de distribuição, unidades de triagem, pontos de coleta e estruturas dedicadas à entrega final.
Além da expansão física, a companhia vem ampliando a automação de seus centros logísticos. Mais de 300 robôs já operam nas instalações brasileiras, contribuindo para reduzir em 20% o tempo de processamento dos pedidos e em 70% o deslocamento dos funcionários durante a separação das mercadorias.
Outro ponto destacado pelo executivo foi a influência da localização dos estoques sobre o desempenho comercial dos vendedores. Produtos armazenados nos centros de *fulfillment*, modalidade em que o Mercado Livre mantém os itens em seus depósitos e assume as etapas de separação e expedição, apresentam resultados superiores aos registrados no modelo de *dropshipping*.
Segundo os indicadores apresentados, anúncios de produtos disponíveis nos centros de *fulfillment* recebem 3,2 vezes mais visualizações, apresentam taxa de conversão 1,7 vez maior e registram vendas 5,2 vezes superiores às do modelo em que o produto é encaminhado pelo vendedor à rede de transporte somente após a compra.
A companhia também está ampliando as modalidades de entrega expressa. Em setembro, lançou o Envios Agora, serviço que prevê a entrega de pedidos em até 60 minutos em regiões selecionadas de São Paulo, inicialmente para vendedores e produtos elegíveis.
A expansão das entregas rápidas também alcançou o segmento farmacêutico. A plataforma passou a incluir medicamentos sujeitos à apresentação de receita médica, com previsão de entrega em até uma hora nas localidades atendidas.
Com a abertura dos novos centros e a ampliação dos serviços de distribuição, o Mercado Livre busca aproximar os estoques dos consumidores e aumentar a capacidade de atendimento dos vendedores que utilizam sua plataforma.










