A B3 anunciou a ampliação dos limites diários de oscilação de contratos futuros de Ibovespa, dólar e juros para o pregão regular desta segunda-feira (26), primeiro dia de negociações após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As alterações permitem movimentos mais amplos nos preços desses derivativos antes que sejam atingidos os limites operacionais estabelecidos pela bolsa.
A decisão abrange os contratos futuros de índice cheio (IND), mini-índice (WIN), dólar cheio (DOL), minidólar (WDO) e diferentes vencimentos dos contratos futuros de DI (DI1), utilizados como referência para as expectativas de juros no mercado brasileiro.
Nos contratos futuros de Ibovespa, a B3 elevou de 10% para 15% o limite de oscilação negativa permitido durante o pregão. A mudança vale para todos os vencimentos tanto do contrato cheio quanto do mini-índice.
Com isso, os contratos poderão registrar desvalorizações mais acentuadas antes de alcançar o limite inferior de negociação definido para a sessão.
No mercado de câmbio, a alteração ocorreu no sentido oposto. A bolsa ampliou de 6% para 8,4% o limite superior de oscilação diária dos contratos futuros de dólar americano.
A medida também se aplica a todos os vencimentos dos contratos DOL e WDO, permitindo uma valorização mais expressiva da moeda americana nos mercados futuros dentro dos novos parâmetros estabelecidos pela B3.
As mudanças foram anunciadas em um momento de expectativa de elevada volatilidade nos ativos brasileiros, após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais.
A reeleição de Lula contrariou as expectativas de parte dos participantes do mercado financeiro, que trabalhavam com a possibilidade de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) e de alterações na condução da política econômica.
Antes da abertura das negociações, instituições financeiras já haviam alertado para a possibilidade de uma reprecificação significativa dos ativos domésticos, especialmente na bolsa, no câmbio e no mercado de juros.
O J.P. Morgan, por exemplo, avaliou que a reação inicial poderia provocar quedas expressivas no Ibovespa e até o acionamento dos mecanismos de interrupção temporária do pregão.
A ampliação dos limites de oscilação dos contratos futuros, entretanto, não significa que esses movimentos necessariamente ocorrerão. A medida altera os parâmetros operacionais para a sessão, sem representar uma previsão oficial da B3 sobre o comportamento dos preços.
Além dos contratos de índice e dólar, a bolsa anunciou mudanças nos limites superiores de oscilação dos contratos futuros de DI, instrumentos utilizados por instituições financeiras e investidores para negociar expectativas sobre a trajetória das taxas de juros.
Nesse mercado, a ampliação varia conforme o prazo de vencimento dos contratos.
Para o vencimento de 21 dias úteis, correspondente ao primeiro mês da estrutura divulgada, o limite superior passou de 24 para 40, nas unidades utilizadas pela B3 para definir as bandas de oscilação.
No vencimento de 42 dias úteis, o parâmetro foi elevado de 32 para 52. Para 63 dias úteis, passou de 36 para 57, enquanto o contrato com 84 dias úteis teve o limite ampliado de 43 para 67.
Nos vencimentos de 105 e 126 dias úteis, os novos limites superiores foram estabelecidos em 78 e 88, respectivamente, ante os parâmetros anteriores de 51 e 58.
A expansão prossegue nos contratos de prazos intermediários. Para 252 dias úteis, o limite passou de 90 para 132. No vencimento de 504 dias úteis, a alteração foi de 123 para 179.
Nos contratos de prazo mais longo, a B3 também autorizou oscilações superiores às anteriormente previstas.
Para o vencimento de 1.008 dias úteis, o limite foi elevado de 127 para 185. Nos contratos com 1.512 dias úteis, passou de 129 para 188.
Nos vencimentos de 1.890 e 3.096 dias úteis, os novos parâmetros foram fixados em 189, ante limites anteriores de 130 e 131, respectivamente.
Esses valores correspondem às bandas operacionais de oscilação dos contratos de DI e não devem ser confundidos com taxas de juros expressas em percentual ao ano.
Os contratos futuros de DI são utilizados para proteção contra oscilações nas taxas de juros e para a formação de expectativas sobre o comportamento da política monetária. Alterações expressivas em seus preços podem refletir mudanças na percepção dos investidores sobre inflação, risco fiscal e trajetória da taxa Selic.
A decisão da B3 amplia a margem de negociação desses instrumentos em uma sessão marcada pela possibilidade de ajustes relevantes nas expectativas econômicas.
É importante distinguir os limites de oscilação dos contratos futuros dos mecanismos de circuit breaker aplicáveis ao mercado de ações.
Enquanto os limites anunciados nesta segunda-feira estabelecem as bandas permitidas para determinados derivativos, o circuit breaker é um mecanismo de interrupção das negociações no mercado acionário diante de quedas expressivas do Ibovespa.
Pelas regras desse mecanismo, uma desvalorização de 10% do índice pode provocar a suspensão das negociações por 30 minutos. Uma queda de 15% aciona uma interrupção adicional de uma hora, enquanto um recuo de 20% permite à B3 avaliar a suspensão das operações pelo restante da sessão.
Portanto, a ampliação para 15% do limite inferior dos contratos futuros de Ibovespa não representa uma alteração automática das regras de circuit breaker do mercado de ações.
As mudanças divulgadas pela B3 são válidas para o pregão regular de 26 de outubro e abrangem todos os vencimentos especificados no comunicado da bolsa.









