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Banco Master realizou remessas bilionárias a empresa alvo de investigação por lavagem ligada ao PCC

Banco Central abriu apuração após informações repassadas pela Polícia Federal

A Polícia Federal apura operações cambiais realizadas pelo Banco Master, quando a instituição ainda operava sob o nome Banco Máxima, envolvendo remessas de US$ 531 milhões para uma empresa brasileira do setor de criptoativos investigada por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionada a organizações criminosas e grupos sob sanções internacionais. As transações ocorreram entre dezembro de 2018 e abril de 2021, período anterior à mudança de nome e de estratégia do banco, e antecederam a liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central, em novembro de 2025.

Segundo os autos da investigação, as remessas tiveram como destino a One World Services, empresa brasileira que atua no mercado de compra e venda direta de criptoativos, operando fora das plataformas tradicionais. A Polícia Federal afirma que a companhia utilizou contas mantidas no Banco Master para aquisição de bitcoins destinados a pessoas posteriormente condenadas por lavagem de dinheiro, sem a apresentação da documentação exigida pelas normas cambiais vigentes à época.

De acordo com o relatório policial, as operações envolveram justificativas formais de aumento de capital de uma offshore da empresa em Miami, nos Estados Unidos. No total, foram identificadas 331 operações com essa finalidade. Pelas regras então em vigor, cada transação exigia a apresentação de ata societária comprovando o aumento de capital, mas apenas 15 documentos teriam sido entregues às autoridades. Ainda segundo a apuração, as atas apresentavam inconsistências, incluindo datas repetidas e digitalizações realizadas em intervalos muito próximos.

A Polícia Federal também apontou que a classificação das operações como aumento de capital resultava em menor recolhimento do Imposto sobre Operações Financeiras, uma vez que esse tipo de transação estava sujeito a uma alíquota inferior à aplicada à compra de ativos no exterior. As informações levantadas foram encaminhadas ao Banco Central, que instaurou procedimento administrativo próprio.

Em nota, o Banco Master afirmou que as apurações relacionadas ao tema foram objeto de um acordo firmado com o Banco Central, que encerrou o processo administrativo sem reconhecimento de irregularidades. A instituição não divulgou os valores envolvidos no acordo celebrado com a autoridade monetária.

A investigação da Polícia Federal se insere no contexto da Operação Colossus, deflagrada em 2022 e com desdobramentos nos anos seguintes, que acompanha movimentações financeiras estimadas em cerca de R$ 60 bilhões, incluindo aproximadamente R$ 8 bilhões em operações de câmbio. Nos autos, a autoridade policial afirma que instituições financeiras investigadas teriam deixado de observar incompatibilidades entre os valores transacionados e o perfil econômico de seus clientes.

A One World Services pertence ao empresário José Eduardo Froes Junior e a seus irmãos. Segundo a investigação, a empresa realizou operações de compra de criptoativos em nome de clientes ligados a atividades ilícitas, incluindo pessoas condenadas por lavagem de dinheiro. Entre os casos citados está o de Dante Felipini, condenado em 2025 por lavagem de dinheiro e associação criminosa, cuja empresa teria realizado transferências para carteiras de criptomoedas associadas a entidades sob sanções internacionais.

A defesa de Felipini informou que a acusação relacionada a financiamento ao terrorismo foi derrubada judicialmente e que os demais pontos da condenação ainda estão sob análise. O empresário foi preso em janeiro de 2024 ao tentar deixar o país e mantinha residência no exterior, onde operava uma empresa autorizada a negociar criptoativos.

A investigação também relata que outras instituições financeiras encerraram relações comerciais com a One World Services após consultas ao Banco Central, alegando ausência de documentação adequada para as operações de câmbio solicitadas. Desde o fim de 2024, as operações de câmbio envolvendo criptoativos passaram a ser formalmente regulamentadas pelo Banco Central, com exigência de reporte equivalente à aplicada a outras casas de câmbio.

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