InvestimentosNotícias

FIIs voltam ao radar dos investidores com expectativa de cortes na Selic, avalia gestor

A queda dos juros melhora o ambiente para os FIIs, mas seletividade continua essencial, alerta Christiano Moreira

A reunião do Copom desta quarta-feira reacendeu as expectativas sobre o início de um ciclo mais consistente de queda da Taxa Selic — e trouxe de volta ao centro das atenções dos investidores uma classe de ativos que passou por um longo período de pressão: os Fundos Imobiliários.

Para Christiano Moreira, sócio e diretor da Devant Asset, o movimento pode representar uma mudança estrutural no cenário macroeconômico com impacto direto sobre os FIIs, tanto pela valorização patrimonial das cotas quanto pelo potencial de geração de renda recorrente.

O mecanismo é direto, na explicação do gestor. “Quando a Selic cai, a taxa de desconto usada para trazer os fluxos futuros a valor presente também diminui, elevando o valor justo dos imóveis e, consequentemente, dos fundos imobiliários.

O efeito mais imediato costuma ser o aumento da demanda, da liquidez e da valorização das cotas”, afirma Moreira. Com os ativos de renda fixa passando a oferecer retornos menores, os investidores tendem a buscar alternativas capazes de combinar renda recorrente e potencial de valorização — cenário que, historicamente, favorece os FIIs.

O gestor detalha os impactos de forma distinta para as duas principais categorias da classe. Nos fundos de tijolo, o ambiente de crédito mais barato estimula a atividade econômica, reduz a vacância e fortalece a demanda dos ocupantes, especialmente em segmentos como logística, shoppings e escritórios bem localizados.

Nos fundos de papel — em especial os indexados ao IPCA —, a queda das taxas contribui para a valorização dos títulos via marcação a mercado e ajuda a reduzir riscos de inadimplência, à medida que as empresas passam a operar com menor pressão financeira.

Moreira também aponta uma mudança de comportamento esperada por parte dos investidores. Em ambientes de juros muito elevados, há uma concentração excessiva em liquidez imediata, com os ativos reais sendo deixados de lado. “Quando os juros recuam, ativos reais como os FIIs retomam atratividade na construção de patrimônio e renda passiva”, afirma o gestor, ressaltando que a queda de juros tende a reorientar o olhar do investidor para o longo prazo.

Apesar do cenário mais favorável, Moreira faz uma ressalva importante: a seletividade continua sendo decisiva para bons resultados. “A queda dos juros melhora o ambiente, mas não substitui a análise de qualidade dos ativos.

Gestão, portfólio, risco de crédito e diversificação seguem sendo fatores essenciais para capturar boas oportunidades”, conclui. Na avaliação do gestor da Devant Asset, 2026 pode marcar a retomada dos FIIs como uma das principais alternativas para investidores que buscam previsibilidade de renda e valorização patrimonial no médio e longo prazo.

Postagens relacionadas

1 of 629