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Vereador relata à PF abordagem para defender o Banco Master em posts

Para a PF a campanha contra o BC tinha objetivo de dar respaldo público a uma eventual anulação da liquidação do Master pelo TCU

A Polícia Federal começou a colher depoimentos de influenciadores digitais que foram procurados com propostas de trabalho para realizar publicações em defesa do Banco Master e atacar desafetos do banqueiro Daniel Vorcaro. O inquérito foi aberto para apurar uma campanha orquestrada nas redes sociais nos últimos dias de 2025, que atingiu seu pico em 27 de dezembro com 4.560 posts direcionados principalmente ao ex-diretor do Banco Central Renato Dias Gomes, responsável pelo veto à venda do Master ao Banco de Brasília.

A investigação identificou dois nomes responsáveis por contatar os influenciadores: Thiago Miranda, da agência Mithi, que foi administrador de negócios do jornalista Léo Dias, e André Salvador, representante da empresa UNLTD. A defesa de Miranda informou que não se manifestaria por não ter tido acesso aos autos. André Salvador não respondeu. Léo Dias havia afirmado anteriormente que Miranda deixou funções de gestão em junho de 2025 e que a agência opera de forma separada de suas atividades jornalísticas.

O vereador Rony Gabriel, do PL de Erechim, no Rio Grande do Sul, foi o primeiro a denunciar publicamente as abordagens e confirmou os detalhes à PF em depoimento. Segundo ele, André Salvador o procurou com uma proposta de trabalho na área reputacional e de gestão de crise, sem revelar de imediato o nome do contratante. O nome de Vorcaro só foi mencionado em reunião posterior por Google Meet. “A gente foi contratado por um executivo grande. E que se tratava do senhor Daniel Vorcaro, do caso Banco Master”, disse Salvador ao vereador, segundo transcrição do depoimento obtida pelo Estadão. Ao descobrir a relação com o banqueiro, Rony Gabriel recusou a proposta.

O método usado com os influenciadores segue o mesmo padrão identificado pela PF em diálogos anteriores do celular de Vorcaro com sites jornalísticos. Em um dos casos documentados, o banqueiro orientou um funcionário a negociar um contrato de patrocínio com o Diário do Centro do Mundo após a publicação de matérias desfavoráveis, com a instrução explícita de usar o veículo para atacar inimigos em troca de patrocínio mensal. O site negou ter sido contratado por Vorcaro.

Para a PF, a campanha contra o Banco Central tinha um objetivo específico: dar respaldo de opinião pública a uma eventual anulação da liquidação do Master pelo Tribunal de Contas da União, que à época emitia sinais de que poderia rever o ato praticado pelo BC. Os investigadores concluíram que as ações sobre influenciadores, realizadas após a primeira soltura de Vorcaro em 28 de novembro, demonstram a continuidade da trama criminosa mesmo fora da prisão, argumento que embasou a segunda prisão preventiva decretada pelo ministro André Mendonça em 4 de março.

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