O Banco Central acendeu um sinal de alerta sobre a produtividade do trabalho no Brasil em seu Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira. Excluída a agropecuária, o indicador permanece estagnado desde 2023, e a persistência desse quadro num ambiente de restrições ao crescimento da população ocupada pode tanto limitar o potencial de expansão da economia quanto transformar acelerações de demanda em pressão inflacionária.
A avaliação da autarquia é que o crescimento de produtividade observado desde 2019 foi modesto e concentrado em dois fatores: o desempenho da atividade agrícola, que combinou expansão da produção com redução da mão de obra empregada no setor, e a realocação de trabalhadores para atividades mais produtivas que ocorreu no período. Os demais segmentos da economia registraram contribuições modestas ou até negativas para a evolução do indicador.
O problema central apontado pelo BC é estrutural. Quando a produtividade não cresce, a única forma de expandir o PIB de forma sustentável é aumentar a quantidade de trabalhadores ou as horas trabalhadas. Se essas duas opções também enfrentam restrições, como ocorre num mercado de trabalho próximo do pleno emprego, qualquer estímulo adicional à demanda tende a se converter em inflação em vez de crescimento real da atividade.









