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André Mendonça considera fraca entrega inicial de Vorcaro em negociação de delação

Relator do caso Master no STF exige provas novas e detalhadas para homologar eventual colaboração premiada

O ministro André Mendonça, relator das investigações envolvendo o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), demonstra baixa expectativa em relação a uma eventual delação premiada do ex-controlador da instituição, Daniel Vorcaro. Segundo relatos de pessoas próximas ao magistrado, o ministro avalia que, até o momento, não surgiram sinais de que o banqueiro esteja disposto a apresentar fatos inéditos ou provas suficientemente robustas para justificar a homologação de um acordo de colaboração.

Nos bastidores do STF, a percepção é de que a Polícia Federal já possui um volume significativo de material apreendido nas operações envolvendo Vorcaro e pessoas ligadas ao grupo, incluindo celulares, documentos e registros financeiros considerados relevantes para o avanço das apurações. Entre os investigados próximos ao ex-banqueiro está Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que também foi alvo das investigações.

De acordo com interlocutores do ministro, Mendonça entende que o conjunto de provas já coletadas oferece à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República um caminho consistente para rastrear movimentações financeiras, reconstruir operações suspeitas e aprofundar o fluxo de recursos investigados no caso Master. Nesse cenário, a avaliação interna é que uma colaboração premiada só teria utilidade concreta caso revelasse estruturas financeiras ainda desconhecidas ou envolvesse personagens que não apareceram até agora nas investigações.

A expectativa entre pessoas próximas ao relator é que a proposta formal de colaboração seja enviada pela Polícia Federal e pela PGR ao Supremo nas próximas semanas, embora não haja previsão de análise imediata. O tema ganhou dimensão política relevante porque a possível delação pode atingir figuras de peso do Judiciário e do meio político em pleno ambiente pré-eleitoral.

Segundo relatos, André Mendonça tem adotado uma postura rígida nas negociações e exige três pilares considerados indispensáveis para qualquer acordo: boa-fé do colaborador, ausência de seletividade na entrega de fatos e pessoas investigadas e apresentação de provas concretas capazes de sustentar os relatos.

A experiência do ministro em negociações de acordos de leniência durante sua passagem pela Controladoria-Geral da União (CGU), especialmente nos casos relacionados à Operação Lava Jato, é vista por interlocutores como um fator que explica a cautela adotada na condução do caso Master.

Nos bastidores do STF, auxiliares do ministro afirmam que Mendonça não demonstraria disposição de proteger integrantes da própria Corte caso a investigação avance sobre ministros ou familiares ligados ao banco de Vorcaro. O caso ganhou ainda mais repercussão após a revelação de contratos e operações envolvendo pessoas próximas a integrantes do Supremo.

A esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci, manteve um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. Já o ministro Dias Toffoli e familiares venderam cotas do resort Tayayá para fundos ligados à instituição financeira controlada por Vorcaro.

As investigações sobre o Banco Master avançaram após suspeitas de irregularidades financeiras, operações consideradas atípicas e possível uso de estruturas paralelas envolvendo fundos e ativos de difícil rastreamento. A Polícia Federal e o Banco Central intensificaram as apurações nos últimos meses, ampliando o alcance das medidas cautelares e das análises sobre a movimentação financeira do grupo.

O caso se tornou uma das investigações mais sensíveis atualmente em tramitação no STF, tanto pelo potencial impacto político quanto pela possibilidade de atingir operadores do mercado financeiro, autoridades públicas e integrantes do sistema financeiro nacional.

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