Documentos internos do Banco Master apontam que o banqueiro Daniel Vorcaro e familiares estiveram envolvidos em uma operação financeira estruturada às vésperas da liquidação da instituição, em meio ao avanço das investigações conduzidas por Polícia Federal e Banco Central do Brasil. Segundo a liquidante responsável pelo processo, a movimentação alcançou R$ 776,9 milhões e teria sido direcionada a uma rede de empresas e fundos vinculados à família do ex-controlador.
A ação judicial sustenta que os recursos teriam sido transferidos por meio de estruturas que dificultariam o rastreamento, com suspeitas de utilização para aquisição de bens de alto valor, incluindo imóveis e aeronaves. Entre os alvos da medida estão Henrique Vorcaro e Natália Vorcaro, pai e irmã do banqueiro, que tiveram bens protestados por decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, como forma de evitar eventual esvaziamento patrimonial durante o processo de liquidação. A defesa dos familiares nega irregularidades e afirma que as operações citadas teriam gerado resultados positivos para a instituição.
O núcleo da investigação envolve operações iniciadas em 2022, quando o fundo City, ligado ao banco, adquiriu títulos de recebíveis de empresas associadas à família Vorcaro. De acordo com registros da Comissão de Valores Mobiliários, foram repassados R$ 419,9 milhões em troca da promessa de recebimento de cerca de R$ 798 milhões ao longo do tempo. A liquidante aponta indícios de que esses ativos não possuíam lastro suficiente, o que levou a perdas progressivas e a uma deterioração acelerada do patrimônio do fundo.
Com o aumento das perdas, uma nova operação foi estruturada em julho de 2025, quando o fundo vendeu o conjunto de recebíveis por R$ 776,9 milhões à empresa Navarra S.A. Segundo a apuração, a companhia teria ligação indireta com o próprio Vorcaro, por meio de fundos identificados nas investigações. A interpretação apresentada no processo é de que a transação teria sido utilizada para reclassificar contabilmente ativos considerados de difícil recuperação, sem alterar a exposição econômica efetiva.
Pouco depois da operação, a administradora do fundo comunicou ao mercado a quase total perda de valor das cotas, com queda de 99,98%, indicando a inviabilidade de recuperação dos ativos. A decisão judicial que determinou o protesto dos bens destaca a existência de indícios de atuação coordenada entre familiares e estruturas financeiras para movimentação e possível ocultação de recursos.
As apurações seguem em curso no âmbito do Supremo Tribunal Federal e da Polícia Federal, com foco na origem dos recursos, na estrutura das operações e em eventuais responsabilidades dos envolvidos. Até o momento, os advogados de Daniel Vorcaro não se manifestaram sobre o conteúdo das investigações.
Nota da defesa de Henrique e Natália Vorcaro:
“Em meio ao que já se revelou como maledicência – porque nunca fundado em provas – tem-se nova tentativa de arrastamento do nome da família a fatos que não tem qualquer relação com seus outros membros, no que diz respeito àquilo que nunca passou de especulação.
As novas “suspeitas” não se sustentam! O que há é pura distorção da realidade, com finalidades não republicanas, típicas de quem, na falta de fatos, dá relevo aos boatos em uma construção artificial.
Essa estratégia, além de repetitiva, desconsidera fatos públicos e aposta na insistência de uma narrativa que não se sustenta. Os negócios feitos com as empresas parceiras citadas foram lucrativos para o Banco Master, como é o caso da venda da Promed.
Não há qualquer ato ilícito atribuível à família, que sequer tem conhecimento destes fundos mencionados, os quais tem tomado ciência apenas após tais inquinações.
O foro adequado a tais aleivosias é o Poder Judiciário. Henrique Vorcaro, que nem citado foi ainda, já apresentou as explicações devidas e até mesmo as indevidas.”









