O Bradesco BBI elevou o preço-alvo dos BDRs do Inter para R$ 53,30, potencial de valorização de 30% sobre o nível atual, mantendo recomendação de compra. A revisão está baseada em projeções mais otimistas de crescimento, mas acompanhada de alertas sobre os custos que esse crescimento vai exigir.
O ponto central da análise é o dilema clássico do setor bancário: crescer mais rápido significa aceitar um perfil de risco mais elevado na carteira de crédito. No caso do Inter, o BBI aumentou a projeção de receita em 8,4% para 2026 e 13,8% para 2027, refletindo um ritmo mais forte de expansão da carteira e margens financeiras mais robustas. Mas, na mesma proporção, as estimativas de provisões para devedores duvidosos subiram 15% para 2026 e 26% para 2027, reflexo de um mix de crédito mais arriscado na originação. As despesas operacionais também foram revisadas para cima em cerca de 20% em ambos os anos.
Esse conjunto de pressões levou o BBI a cortar a estimativa de lucro antes de impostos em 12% para 2026 e 2027. O que evita uma deterioração maior do lucro líquido é um fator tributário: a menor alíquota efetiva de imposto de renda esperada para o banco compensa, com folga, os efeitos negativos do aumento de provisões e custos. Com isso, o lucro líquido projetado fica em US$ 1,8 bilhão em 2026, queda de apenas 4,5% frente à estimativa anterior, e US$ 2,6 bilhões em 2027, recuo de 6%. Para 2026, o número fica 1,3% abaixo do consenso de mercado. Para 2027, está 4,4% acima, indicando que o BBI enxerga o Inter ganhando tração ao longo do tempo à medida que o crescimento da carteira amadurece.
Os analistas são transparentes sobre as tensões no cenário de curto prazo: ambiente de crescimento favorável, mas com risco maior na originação e pressão de custos que limitam a expansão do lucro operacional. A justificativa para manter a recomendação de compra apesar disso é a combinação de carteira mais forte, margens sustentadas e entrega acima do consenso projetada para 2027, horizonte em que os benefícios do crescimento devem superar os custos do risco assumido agora.










