O BTG Pactual assinou um acordo para comprar o Digimais, banco controlado pelo bispo Edir Macedo, dono da TV Record e chefe da Igreja Universal do Reino de Deus, segundo apuração do Valor. O fechamento da operação ainda depende do cumprimento de condições precedentes, sendo a principal delas a obtenção de um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos para viabilizar a transação. Antes de repassar o banco ao BTG, Macedo deve realizar um aporte significativo na instituição.
A venda é descrita por fontes próximas ao negócio como a melhor solução disponível para o Digimais, banco que enfrenta dificuldades há anos e estava na mira do Banco Central. O regulador vinha acompanhando de perto a situação da instituição, exigindo reforços de capital em diferentes momentos, e foi informado das negociações ao longo do processo. A avaliação do BC é favorável à transação. Em março, o Valor já havia antecipado que os dois bancos estavam em negociações avançadas.
O FGC é o ponto de atenção no fechamento do negócio. O fundo chegou à operação numa posição financeira fragilizada: metade do seu caixa foi consumida pelos desdobramentos do caso Master, e o Banco de Brasília ainda apresentou pedido de empréstimo de R$ 4 bilhões à entidade. Com isso, o Digimais seria a primeira operação do FGC após mudanças implementadas pelo Conselho Monetário Nacional em seu estatuto em janeiro. Pelas novas regras, o fundo precisará viabilizar um leilão e permitir que outras propostas sejam apresentadas, mas a expectativa é que o BTG leve o negócio por ter maior interesse e conhecimento mais aprofundado da operação.
A história do Digimais nas tentativas de venda é marcada por tropeços. O banco chegou a negociar com o Nubank e anunciou acordo com o Bluebank, de Maurício Quadrado, ex-sócio do Master, que acabou não sendo concluído. Quadrado também aparece no contexto mais amplo das investigações do caso Master, o que adiciona uma camada de complexidade ao histórico da instituição.
O banco carrega ainda um passivo judicial relevante. O Digimais enfrenta disputa com o fundo EXP 1, da gestora Yards, após ceder uma carteira de R$ 659,8 milhões em março de 2025 composta por créditos originados inicialmente pelo Master e pelas empresas Reag e Fictor, ambas investigadas no âmbito da Operação Compliance Zero. Os problemas com o fundo começaram poucos meses depois da cessão.
Em setembro de 2025, os ativos do Digimais somavam R$ 9,3 bilhões com patrimônio líquido de R$ 420 milhões, carteira de crédito de R$ 1,9 bilhão e portfólio de títulos e valores mobiliários de R$ 2,3 bilhões. O banco ainda não divulgou os resultados de 2025. BTG e Digimais não comentaram.










