O Bradesco trabalha com a expectativa de dez ofertas de ações no mercado brasileiro em 2026, sendo pelo menos um IPO, com volume total estimado em R$ 15 bilhões. A projeção foi feita pelo vice-presidente executivo Bruno Boetger, responsável pelo banco de Atacado da instituição, durante o 12º Annual Brazil Investment Forum promovido pelo banco em São Paulo. Boetger não detalhou setores ou nomes, mas disse que o pipeline inclui ofertas grandes e pequenas.
O executivo apontou a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã como o principal risco para os mercados, pela volatilidade adicional que gera e pelo impacto nos preços do petróleo, com reflexos sobre inflação e juros. Apesar disso, Boetger destacou que o fluxo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira não parou. Na sua avaliação, é justamente esse fluxo que tem sustentado o Ibovespa na faixa dos 187 mil a 188 mil pontos. As eleições de outubro, por outro lado, ainda não são um tema que impacta o mercado. “Tem muita água para correr”, disse.
No mercado de renda fixa, o cenário é de maior cautela. Boetger estimou emissões totais em torno de R$ 550 bilhões para 2026, queda expressiva em relação ao recorde histórico de R$ 740 bilhões registrado em 2025.
O executivo atribuiu o recuo à seletividade maior das gestoras na precificação e nos volumes, num ambiente marcado por eventos corporativos relevantes, como os pedidos de recuperação extrajudicial da Raízen com R$ 65 bilhões em dívidas e do GPA com R$ 4,5 bilhões, além das dificuldades da Braskem. Sem citar nomes, Boetger disse que esses eventos afetaram o sentimento dos investidores e tornaram o mercado mais criterioso na avaliação de riscos.
No mercado externo de dívida brasileira, a seletividade também aumentou. Boetger observou maior demanda por emissões high grade e investment grade, com desafios crescentes para nomes high yield. A estimativa do Bradesco é de US$ 20 bilhões a US$ 25 bilhões em emissões externas em 2026, volume significativamente menor do que os US$ 36 bilhões de 2025. O executivo prevê ainda que o mercado será concentrado no primeiro semestre, com uma janela mais curta no segundo semestre por conta das eleições.










