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Petróleo dispara 6% e pressiona juros curtos enquanto Focus eleva Selic esperada para 13%

O Brent avançou 5,64% para US$ 95,42 após apreensão de navio iraniano pelos EUA reacender tensões

Os juros futuros fecharam a sessão desta segunda-feira sem direção única. As taxas curtas subiram pressionadas pela volta das tensões no Oriente Médio e pela postura conservadora do Banco Central, enquanto as taxas longas terminaram o dia em leve queda. O DI para janeiro de 2027 avançou de 13,88% para 13,91% e o DI para janeiro de 2028 subiu de 13,245% para 13,285%, enquanto o DI para janeiro de 2031 recuou de 13,295% para 13,245%.

O fim de semana trouxe novo capítulo de escalada no conflito: os Estados Unidos apreenderam um navio cargueiro de bandeira iraniana, reacendendo dúvidas sobre a reabertura plena do Estreito de Ormuz. O petróleo voltou a subir com força. O Brent para julho avançou 5,64% para US$ 95,42, e o WTI para maio subiu 6,87% para US$ 89,61, revertendo parte das quedas de mais de 10% registradas na sexta-feira, quando o estreito havia sido momentaneamente reaberto. Os Treasuries americanos acompanharam o movimento, com o rendimento da T-note de 2 anos subindo de 3,712% para 3,725%.

No Brasil, além do cenário externo, o mercado digeriu declarações de dirigentes do Banco Central feitas na semana anterior em palestras nos Estados Unidos. O Société Générale destacou que o diretor de política monetária Nilton David classificou o corte de 0,25 ponto em março como início de um processo de calibração, não como um ciclo de afrouxamento, e afirmou que o BC não conta com a apreciação do real para promover a desinflação, minimizando implicitamente a valorização do câmbio abaixo de R$ 5. Já o diretor Paulo Picchetti disse que a magnitude da calibração permanece em aberto e que os dados ainda têm amplo espaço para reorientar as expectativas antes da reunião do Copom da semana que vem.

A piora no ambiente externo e o conservadorismo do BC se traduziram em revisões relevantes no Focus. O IPCA esperado para 2026 subiu de 4,71% para 4,80% e para 2027 saltou de 3,91% para 3,99%. Mais significativo foi o movimento na Selic: a mediana das projeções avançou de 12,5% para 13% para o fim de 2026 e de 10,5% para 11% para o fim de 2027, sinalizando que o mercado passou a precificar um ciclo de cortes mais curto e gradual do que o esperado anteriormente.

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