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Itaú revisa inflação para cima e projeta Selic em 13,25% ao fim do ciclo de cortes

O Itaú elevou a projeção do IPCA 2026 de 4,5% para 5,2% e a Selic terminal de 13% para 13,25%

A decisão do Copom de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano, veio em linha com as expectativas do mercado — mas a leitura do Itaú Unibanco sobre o que vem pela frente é de um cenário significativamente mais desafiador. Com inflação mais pressionada, expectativas desancoradas e ambiente externo deteriorado, o banco revisou suas projeções e passou a enxergar menor espaço para cortes adicionais de juros ao longo do ciclo.

O diagnóstico foi apresentado por Fernando Gonçalves, superintendente de Pesquisas Econômicas do Itaú, em coletiva realizada após a decisão do Copom. Para ele, a desancoragem das expectativas de inflação segue sendo um dos principais pontos de atenção para o Banco Central, especialmente nos horizontes mais longos. “Nos parece que o comitê quer continuar cortando os juros em passos pequenos”, afirmou Gonçalves, sinalizando que o ritmo gradual deve prevalecer nas próximas reuniões.

A revisão das projeções de inflação do banco reflete pressões mais intensas no curto prazo. A estimativa para o IPCA de 2026 subiu de 4,5% para 5,2%, enquanto a projeção para 2027 foi ajustada de 4,1% para 4,3%. O movimento incorpora principalmente o impacto dos combustíveis, pressionados pela alta do petróleo, e dos alimentos, afetados por efeitos climáticos associados ao El Niño. O balanço de riscos, na avaliação do banco, segue assimétrico para cima. Diante desse quadro, o Itaú também elevou sua projeção para a taxa Selic ao final do ciclo de cortes — agora em 13,25%, ante 13,00% anteriormente.

Um dos pontos que mais chamou atenção do banco no comunicado desta quarta-feira foi a inclusão explícita da possibilidade de ajuste não apenas no ritmo, mas também na extensão do ciclo de cortes. Para Gonçalves, essa mudança amplia a flexibilidade do Banco Central diante do cenário mais incerto e introduz a possibilidade de alterações no tamanho total do processo de flexibilização, a depender da evolução dos dados econômicos. Em outras palavras, o ciclo pode ser interrompido antes do previsto caso o ambiente inflacionário continue se deteriorando.

Do lado da atividade, o Itaú manteve suas projeções de crescimento do PIB em 1,9% para 2026 e 1,7% para 2027. Os dados recentes apontam resiliência no curto prazo, mas o banco avalia que o ambiente externo mais volátil e o crédito mais restrito devem limitar uma aceleração mais expressiva. No câmbio, a instituição revisou suas projeções com viés mais favorável para o real: o dólar é esperado em R$ 5,15 em 2026 e R$ 5,35 em 2027, refletindo o ambiente mais positivo para moedas emergentes e o papel do Brasil como exportador de petróleo — embora o banco incorpore volatilidade maior à frente, especialmente com o avanço do ciclo eleitoral.

Na frente fiscal, o Itaú manteve a projeção de déficit primário em 0,5% do PIB em 2026 e 0,6% em 2027. Parte da melhora conjuntural das receitas, impulsionada pelo petróleo, deve ser utilizada para mitigar o impacto da alta dos combustíveis sobre a economia doméstica — movimento que o banco monitora de perto como fator de risco para a trajetória fiscal de médio prazo.

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