A Taurus Armas encerrou o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 36,6 milhões, revertendo o lucro de R$ 18,6 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. O resultado foi impactado pelo aumento de custos operacionais e pelos efeitos temporários das tarifas impostas pelos Estados Unidos, principal mercado da companhia.
O desempenho operacional da fabricante também apresentou deterioração no período. O Ebitda ficou negativo em R$ 20,1 milhões entre janeiro e março, ante resultado positivo de R$ 7 milhões um ano antes.
Apesar da piora nos indicadores de rentabilidade, a receita líquida da Taurus apresentou relativa estabilidade e somou R$ 355 milhões no trimestre, crescimento de 1,7% na comparação anual. Segundo a companhia, as vendas no mercado externo tiveram recuo de 1,4% no período.
O principal fator de pressão sobre o resultado veio do avanço dos custos industriais. O custo dos produtos vendidos aumentou 8% em relação ao primeiro trimestre de 2025. As despesas operacionais também cresceram acima da receita, avançando 15,4% e atingindo R$ 135,5 milhões.
A empresa atribuiu parte relevante do impacto financeiro às tarifas de importação de 50% aplicadas pelo governo dos Estados Unidos sobre determinados produtos. A medida afetou diretamente as operações da companhia no país, responsável pela maior parcela da demanda internacional da Taurus.
Segundo a fabricante, a cobrança acabou sendo revertida após decisão da Suprema Corte americana em fevereiro. A empresa afirmou no balanço que a revisão judicial deverá permitir a devolução integral dos valores pagos adicionalmente no período anterior, estimados em aproximadamente US$ 18 milhões.
Mesmo com o cenário mais pressionado, a Taurus afirmou que o mercado norte-americano começou a apresentar sinais moderados de recuperação da demanda. A companhia destacou ainda que, pela primeira vez, a produção de armas em suas operações nos Estados Unidos superou o volume fabricado no Brasil.
A carteira de pedidos da empresa encerrou março em cerca de US$ 100 milhões, segundo informações divulgadas pela administração no balanço trimestral.
O desempenho ocorre em um ambiente de desaceleração do mercado internacional de armas após o forte ciclo de demanda observado nos últimos anos, além de maior pressão sobre custos industriais, logística e tarifas comerciais em diferentes mercados.









