A Stellantis avalia encerrar as operações da Citroën no Brasil como parte de uma ampla revisão estratégica global anunciada pelo CEO do grupo, Antonio Filosa.
Segundo apuração do Jornal do Carro, a fabricante francesa passou a integrar a lista de marcas consideradas de atuação regional dentro da nova estratégia da companhia, ao lado de Chrysler, Dodge, Opel e Alfa Romeo, enquanto o grupo pretende concentrar investimentos em marcas com maior escala global e rentabilidade, como Fiat, Jeep, Ram e Peugeot.
O novo plano prevê investimentos globais de R$ 350 bilhões até 2030 e o lançamento de 60 novos veículos. Desse total, 70% dos recursos serão destinados às marcas classificadas como prioritárias pela companhia.
Embora a Stellantis tenha afirmado oficialmente que a Citroën “segue como parte relevante da estratégia da companhia no Brasil e América do Sul”, fontes ligadas ao grupo indicam que o futuro da marca francesa no país passou a ser discutido internamente de forma mais intensa nos últimos meses.
A avaliação dentro da companhia é que o atual portfólio da Citroën perdeu diferenciação estratégica no mercado brasileiro, especialmente diante da aproximação técnica e comercial com futuros modelos da Fiat.
Os atuais C3, Basalt e Aircross utilizam a plataforma Smart Car, derivada da arquitetura CMP, mesma base que servirá de fundação para novos veículos da Fiat previstos para o mercado nacional.
Entre eles estão futuras gerações de Argo, Fastback e um SUV inédito de sete lugares, produtos que devem disputar faixas semelhantes de preço e proposta.
Executivos e interlocutores ligados à Stellantis avaliam que manter duas linhas tão próximas dentro do grupo poderia gerar sobreposição de portfólio e canibalização interna.
Além disso, a Fiat possui uma estrutura considerada mais robusta no Brasil, com ampla rede de concessionárias, liderança em vendas diretas, maior presença entre frotistas e valor residual mais forte no mercado.
Outro ponto que pesa contra a permanência da Citroën é o desempenho comercial limitado mesmo após a reformulação recente da linha de produtos.
A marca registrou em 2025 seu melhor resultado desde 2014, com quase 40 mil veículos licenciados, mas o crescimento foi sustentado principalmente por descontos agressivos e forte dependência de vendas diretas.
Segundo fontes do setor, a Stellantis avalia que a Citroën segue pequena demais para o tamanho da operação do grupo no Brasil e não conseguiu atingir relevância suficiente mesmo após a renovação completa do portfólio.
Durante apresentação estratégica para a América do Sul, o CEO regional da Stellantis, Herlander Zola, mencionou planos futuros envolvendo Fiat, Jeep, Ram, Peugeot e Leapmotor, mas não citou a Citroën entre as prioridades da região.
A ausência aumentou especulações sobre o futuro da operação brasileira da marca francesa.
Outro fator observado internamente é a mudança do posicionamento global da Citroën, que passou a concentrar esforços em veículos eletrificados e projetos específicos para o mercado europeu, incluindo o relançamento do clássico 2CV em versão moderna.
Na visão de executivos da Stellantis, esse direcionamento teria baixa aderência ao mercado brasileiro, onde o grupo pretende concentrar investimentos em eletrificação por meio de marcas com maior escala, como Fiat, Jeep e Leapmotor.
A companhia ainda não confirmou oficialmente qualquer decisão sobre encerramento da operação da Citroën no Brasil.









