As negociações para a reestruturação financeira da Raízen avançaram nos últimos dias e caminham para um acordo entre a companhia e seus credores envolvendo uma das maiores reorganizações corporativas já realizadas no país.
O plano em discussão prevê a conversão de aproximadamente 45% da dívida total da empresa em ações. O passivo da companhia gira em torno de R$ 65 bilhões, montante considerado o maior já envolvido em uma recuperação extrajudicial no Brasil.
Caso o acordo seja concluído nos termos atuais, os credores passarão a deter quase 80% do capital da companhia após a conversão das dívidas em participação acionária.
A proposta também inclui um aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell, sócia da Raízen na joint venture com a Cosan. O investimento já vinha sendo negociado nas últimas semanas e é considerado peça central para dar liquidez à operação durante o processo de reestruturação.
Outro ponto relevante do plano envolve uma futura divisão da Raízen em duas empresas independentes. A estrutura em discussão prevê a separação entre a operação de produção de etanol e bioenergia e o negócio de distribuição de combustíveis.
A avaliação dentro da companhia e entre os credores é que a cisão poderá facilitar a reorganização operacional, destravar valor dos ativos e permitir estratégias distintas para cada segmento.
As conversas também incluem mudanças relevantes na governança corporativa da empresa. Está prevista para o primeiro trimestre de 2027 a eleição de um novo conselho de administração, já refletindo a nova composição acionária após a conversão das dívidas.
Além disso, será criado o cargo de CRO (Chief Restructuring Officer), executivo responsável por liderar o processo de recuperação e reorganização financeira da companhia.
Segundo as negociações em andamento, a função deverá ser ocupada por Lorival Luz, atual diretor financeiro da Raízen e ex-CEO da BRF.
A Raízen enfrenta forte deterioração financeira após um período marcado por aumento do endividamento, queda nos preços internacionais do açúcar e do etanol, juros elevados e desaceleração do mercado de biocombustíveis.
Nos últimos meses, a companhia também acelerou vendas de ativos, revisão operacional e cortes de custos para tentar reduzir a pressão sobre o caixa enquanto negocia com credores.










