O Goldman Sachs manteve uma visão cautelosa para a Ambev, mesmo após o forte desempenho operacional apresentado pela companhia no primeiro trimestre de 2026 e a reação positiva das ações no mercado.
Em relatório divulgado após os dados mais recentes de inflação no Brasil, o banco destacou que a desaceleração da inflação da cerveja pode limitar o espaço para novos reajustes de preços nos próximos meses, em um cenário ainda marcado por perda de poder de compra dos consumidores.
Segundo o levantamento do IBGE, a prévia da inflação oficial em maio mostrou aceleração do índice geral para 4,6% em 12 meses, enquanto a inflação específica da cerveja desacelerou para 3,8%.
Na avaliação do Goldman Sachs, esse movimento reforça a percepção de que o setor continua enfrentando um ambiente de demanda mais fraco, apesar do desempenho acima do esperado apresentado pela Ambev no início do ano.
O banco afirma que o mercado segue otimista com a companhia no curto prazo principalmente por dois fatores: o impulso positivo esperado para os volumes de vendas nos próximos trimestres e a capacidade da empresa de continuar avançando em estratégias de premiumização do portfólio.
Entre os fatores favoráveis citados pelo Goldman estão bases de comparação mais fracas em relação ao ano anterior, condições climáticas mais favoráveis e os efeitos da Copa do Mundo FIFA 2026, que tradicionalmente impulsiona o consumo de bebidas.
No primeiro trimestre de 2026, as vendas por litro da Ambev cresceram 8% na comparação anual. Segundo o Goldman, entre 50% e 65% desse avanço foi favorecido pela base comparativa mais fraca do ano anterior.
O banco estima ainda que cerca de 25% do crescimento decorreu de mudanças no mix de produtos, enquanto entre 1,2% e 2% vieram de reajustes reais de preços implementados pela companhia.
Apesar disso, o Goldman Sachs avalia que os reajustes devem perder força gradualmente ao longo do ano.
Na visão dos analistas, os preços tendem a convergir novamente para níveis mais próximos da inflação geral, à medida que os efeitos positivos da Copa do Mundo e das comparações mais fáceis diminuam nos próximos trimestres.
O relatório também chama atenção para sinais de enfraquecimento do consumo. Dados da consultoria Scanntech mostram que o volume de vendas de cerveja caiu 5% em abril na comparação anual.
Para o Goldman, isso indica que a categoria ainda sofre com demanda pressionada e menor capacidade de consumo das famílias, reduzindo espaço para aumentos adicionais de preços.
Mesmo após o forte balanço do primeiro trimestre, o banco manteve recomendação de venda para as ações da Ambev, com preço-alvo de R$ 12,90, valor que representa potencial de queda de 22,2% em relação ao fechamento anterior.
O resultado trimestral da companhia havia surpreendido o mercado positivamente. Após a divulgação do balanço, em 5 de maio, as ações da Ambev avançaram mais de 15% em um único pregão.
Ainda assim, parte relevante do mercado segue cautelosa em relação à sustentabilidade dos números apresentados pela empresa.
Segundo dados compilados pela LSEG, entre 14 recomendações atualmente atribuídas às ações da Ambev, oito são neutras, quatro indicam venda e apenas duas recomendam compra.









