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PF diz que Daniel Vorcaro tentou impedir denúncia sobre investimentos do Rioprevidência

Relatório aponta que questionamentos sobre investimentos do fundo previdenciário levaram a mudanças na estrutura das aplicações

Mensagens encontradas pela Polícia Federal indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro reagiu com preocupação a questionamentos públicos sobre os investimentos do Rioprevidência em ativos ligados ao Banco Master. Segundo a investigação, uma denúncia apresentada ao Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) teria provocado uma mobilização do empresário para evitar que o tema ganhasse maior repercussão.

O episódio teve início em setembro de 2024, quando o deputado estadual Luiz Paulo questionou a concentração de recursos do fundo previdenciário dos servidores fluminenses em letras financeiras emitidas pelo Master. Além de levar o caso ao TCE-RJ, o parlamentar passou a tratar do assunto publicamente e alertou para possíveis riscos envolvendo os recursos destinados às aposentadorias e pensões do Estado.

De acordo com o relatório da PF, no dia seguinte às manifestações do deputado, Vorcaro compartilhou o conteúdo com pessoas próximas e demonstrou preocupação com a possibilidade de o tema se espalhar. Os investigadores apontam que o banqueiro buscou reduzir os efeitos políticos e midiáticos da denúncia. Em uma das conversas analisadas, ele menciona a retirada de uma publicação jornalística relacionada ao assunto e discute formas de limitar a circulação das críticas feitas pelo parlamentar.

A investigação sustenta que os questionamentos também coincidiram com uma mudança relevante na forma como os recursos do Rioprevidência passaram a ser direcionados para estruturas associadas ao grupo financeiro. Antes da denúncia, os investimentos eram realizados diretamente em letras financeiras emitidas pelo Banco Master. Posteriormente, segundo a PF, os aportes passaram a ocorrer por meio de fundos administrados ou vinculados à instituição.

Os investigadores também mapearam uma sequência de encontros entre Vorcaro e o então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. A análise da PF aponta que diversas reuniões foram seguidas por novos investimentos do Rioprevidência em produtos ligados ao grupo financeiro. Somados, os aportes mencionados no relatório alcançariam valores bilionários ao longo do período investigado.

Entre os elementos analisados estão encontros realizados entre 2023 e 2025, além de trocas frequentes de mensagens e convites para eventos privados. A PF afirma que os contatos continuaram mesmo após o surgimento das primeiras denúncias envolvendo o Master e os investimentos do fundo previdenciário estadual.

O relatório destaca ainda que, após uma reunião realizada em dezembro de 2024, houve novo investimento do Rioprevidência em um fundo relacionado ao grupo financeiro. Em outra frente da investigação, os agentes identificaram encontros ocorridos em março de 2025, período que antecedeu novos aportes de grande volume realizados pelo fundo estadual.

As apurações fazem parte de um conjunto mais amplo de investigações que analisam a relação entre agentes públicos, gestores de recursos e operações financeiras envolvendo o Banco Master. A Polícia Federal busca esclarecer se houve influência indevida na alocação dos recursos previdenciários e se os investimentos seguiram critérios técnicos compatíveis com o interesse dos beneficiários do fundo.

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