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Itaú vê inflação mais alta e reduz espaço para cortes da Selic em 2026

Itaú vê atividade mais resiliente, inflação persistente e menor espaço para flexibilização monetária

A combinação de inflação resistente, atividade econômica mais forte do que o esperado e incertezas adicionais no cenário externo levou o Itaú Unibanco a revisar suas principais projeções macroeconômicas para os próximos anos. Em novo relatório de cenário, a instituição elevou as estimativas para o IPCA, para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e para a taxa Selic, reforçando a avaliação de que o Banco Central terá menos espaço para promover cortes de juros ao longo de 2026.

A principal mudança ocorreu nas expectativas para a inflação. O banco passou a projetar alta de 5,4% para o IPCA em 2026, acima dos 5,2% estimados anteriormente e ainda mais distante do teto da meta perseguida pelo Banco Central, atualmente em 4,5%. Na avaliação dos economistas da instituição, o avanço dos preços internacionais do petróleo continua produzindo efeitos indiretos sobre a economia brasileira, encarecendo custos de produção, transporte e serviços.

Segundo o Itaú, mesmo que medidas adotadas pelo governo, como subsídios e reduções tributárias sobre combustíveis, ajudem a conter parte da pressão imediata sobre gasolina e diesel, os reflexos do choque energético já começaram a aparecer em diferentes etapas da cadeia produtiva. O banco destaca que esses efeitos vêm sendo observados tanto nos índices de preços ao produtor quanto nos indicadores de inflação ao consumidor.

Além dos combustíveis, a instituição chama atenção para o comportamento dos alimentos. Para 2027, a projeção de inflação foi elevada de 4,3% para 4,5%. Entre os fatores que justificam a revisão estão as expectativas de preços agrícolas mais elevados e as incertezas relacionadas aos impactos climáticos do El Niño sobre a produção mundial de commodities.

Na visão dos economistas do Itaú, os riscos para a inflação continuam predominantemente direcionados para cima. O banco avalia que novos reajustes nos combustíveis, uma eventual intensificação dos efeitos climáticos e a persistência de pressões sobre alimentos podem dificultar ainda mais o processo de convergência da inflação para a meta oficial.

Ao mesmo tempo em que vê inflação mais elevada, o Itaú também passou a enxergar uma economia mais forte. A projeção para o crescimento do PIB brasileiro em 2026 foi revisada de 1,9% para 2,1%, refletindo o desempenho acima do esperado registrado no primeiro trimestre do ano e os impactos das medidas de estímulo anunciadas pelo governo federal.

Entre os fatores considerados pelo banco estão programas de crédito, iniciativas de renegociação de dívidas e políticas voltadas ao financiamento de setores específicos da economia. Segundo o relatório, medidas como o Novo Desenrola, linhas subsidiadas para renovação de frotas de ônibus e caminhões e a redução da fila de benefícios do INSS tendem a sustentar o consumo e a atividade econômica nos próximos meses.

Para 2027, no entanto, o Itaú manteve a projeção de crescimento de 1,7%, avaliando que a perda gradual do impulso fiscal deverá ser compensada apenas parcialmente por condições monetárias menos restritivas.

É justamente essa combinação entre atividade aquecida e inflação persistente que levou o banco a revisar também sua expectativa para a Selic. A projeção para a taxa básica de juros ao final de 2026 subiu de 13,25% para 13,75%.

Na avaliação da instituição, os dados recentes reforçam a postura cautelosa adotada pelo Banco Central. Mesmo com algum alívio observado nos preços internacionais do petróleo nas últimas semanas, o conjunto de indicadores econômicos continua apontando para uma economia resiliente e para uma inflação acima do desejado.

O cenário-base do Itaú prevê três cortes adicionais de 0,25 ponto percentual na Selic ao longo deste ano. Ainda assim, o banco reconhece que existe um risco crescente de interrupção antecipada desse ciclo de flexibilização monetária.

Segundo o relatório, novas reduções de juros dependeriam de uma melhora mais consistente das expectativas inflacionárias e de sinais claros de desaceleração da atividade econômica, fatores que ainda não aparecem de forma evidente nos dados mais recentes.

Para 2027, a instituição projeta que a Selic termine em 12,50%, indicando que o processo de redução dos juros deve ocorrer de forma gradual e mais lenta do que o mercado esperava há alguns meses.

Em relação ao câmbio, o Itaú manteve suas projeções em R$ 5,15 por dólar para o fim de 2026 e R$ 5,35 para 2027. Apesar da recente pressão sobre o real, o banco entende que os juros elevados, o fluxo para mercados emergentes e os termos de troca favoráveis continuam oferecendo suporte à moeda brasileira.

Ainda assim, os economistas ressaltam que o cenário eleitoral tende a ganhar importância nos próximos meses. Historicamente, anos de eleição costumam trazer maior volatilidade para os ativos domésticos, o que pode provocar oscilações adicionais na taxa de câmbio e aumentar a cautela dos investidores.

A revisão do Itaú se soma a um movimento mais amplo observado entre instituições financeiras e consultorias econômicas, que vêm ajustando suas projeções diante da combinação de inflação persistente, crescimento acima do esperado e incertezas relacionadas ao cenário internacional e à política econômica doméstica.

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