A Empiricus Research avalia que três fatores devem concentrar a atenção dos investidores brasileiros ao longo do segundo semestre de 2026: a trajetória da taxa Selic, o avanço do processo eleitoral e os possíveis impactos de um novo episódio de El Niño sobre a economia e os preços das commodities.
Segundo a casa de análise, a combinação desses elementos poderá ampliar a volatilidade dos mercados financeiros e influenciar o desempenho de diferentes classes de ativos nos próximos meses.
No campo da política monetária, os investidores acompanham os sinais emitidos pelo Banco Central após a divulgação de indicadores recentes de atividade econômica e inflação. Para o analista de macroeconomia da Empiricus, Matheus Spiess, os dados mais recentes reforçam a expectativa de um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
De acordo com o analista, a desaceleração observada no mercado de trabalho, os resultados mais moderados da inflação e a comunicação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, aumentaram a percepção de que existe espaço para uma flexibilização gradual da política monetária. Ainda assim, a velocidade desse movimento continuará condicionada ao comportamento das contas públicas e das expectativas para a inflação.
Outro fator acompanhado pelo mercado é a possibilidade de formação de um novo episódio de El Niño. O fenômeno climático pode afetar a produção agrícola em diversas regiões, influenciando a oferta de alimentos e os preços de commodities, com reflexos sobre a inflação e setores ligados ao agronegócio.
Na avaliação da Empiricus, os impactos potenciais do clima já vêm sendo considerados na seleção de ativos ao longo de 2026, especialmente em segmentos mais sensíveis às oscilações de preços de matérias-primas e alimentos.
Além das questões econômicas, a proximidade das eleições presidenciais tende a ganhar maior relevância na precificação dos ativos financeiros. Com o calendário eleitoral avançando para o segundo semestre, investidores devem acompanhar a definição oficial das candidaturas e as propostas econômicas apresentadas durante a campanha.
Uma pesquisa AtlasIntel em parceria com a Bloomberg divulgada nesta semana mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderando os cenários simulados de primeiro turno contra Flávio Bolsonaro, com vantagem superior a dez pontos percentuais. O levantamento representa um retrato do momento e integra o conjunto de indicadores monitorados pelo mercado para avaliar o ambiente político.
Segundo a Empiricus, períodos eleitorais costumam elevar a volatilidade dos ativos financeiros, à medida que investidores ajustam suas expectativas em relação à política fiscal, ao crescimento econômico e às futuras decisões de política econômica.
A casa destaca que a combinação entre juros, cenário político e riscos climáticos exige uma estratégia de investimentos diversificada e alinhada ao perfil de risco de cada investidor. Em ambientes de maior volatilidade, diferentes setores da economia podem reagir de forma distinta às mudanças nas expectativas econômicas, reforçando a importância da diversificação das carteiras.









