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XP Asset reduz taxa fixa e muda cobrança em fundos multimercado

Gestora reformula multimercados, fixa volatilidade máxima de 5% e reforça estratégia de juros; segmento macro soma cerca de R$ 700 milhões

A XP Asset decidiu reformular a estrutura de seus fundos multimercado macro em um momento de resgates persistentes nessa categoria. A principal mudança está no modelo de remuneração: a gestora passa a cobrar 1% de taxa de administração e 30% de performance sobre o que exceder o CDI, substituindo a estrutura tradicional de 2% de administração e 20% de performance.

A alteração busca vincular uma parcela maior da remuneração ao desempenho efetivamente entregue ao cotista. Ao reduzir a taxa fixa e aumentar a parcela variável, a gestora pretende diminuir a pressão para manter posições de risco em períodos nos quais não identifica oportunidades com relação favorável entre retorno potencial e risco.

Segundo Bruno Marques, sócio da XP Asset responsável pelas estratégias macro, a mudança permite que a gestão mantenha o portfólio mais defensivo em fases de maior incerteza. “Não é cobrar menos, é cobrar diferente”, afirmou.

Além da estrutura de taxas, a XP também revisou a política de risco dos fundos. A volatilidade, que anteriormente tinha como referência uma oscilação média de aproximadamente 5%, passa a ter esse patamar como limite explícito. A gestora também incorporou mecanismos contínuos de estresse para monitorar o comportamento das carteiras em cenários adversos.

Na prática, o objetivo é reduzir a amplitude das oscilações das cotas e evitar que movimentos mais intensos afastem investidores em momentos de maior turbulência. Os limites de risco para posições em ações e moedas também foram reduzidos.

A equipe responsável pelos fundos macro passou por mudanças e voltou a concentrar parte relevante de sua atuação no mercado de juros, historicamente uma das principais fontes de retorno dessas estratégias. Entre os reforços estão Bruno Andrade, que atuava no Hedge Plus, do Itaú, e Rafael Rios, ex-SPX.

A nova abordagem já foi utilizada em períodos recentes de elevada volatilidade internacional. Entre março e maio, durante o aumento das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, a gestora reduziu rapidamente sua exposição a risco e manteve as carteiras próximas ao CDI. As posições foram gradualmente retomadas entre junho e agosto.

Segundo Marques, a estratégia procura preservar capital quando os mercados apresentam oscilações intensas sem uma direção clara, concentrando as tomadas de risco em momentos considerados mais assimétricos.

A revisão do modelo também decorre das mudanças observadas no ambiente macroeconômico desde a pandemia. Na avaliação da gestora, políticas fiscais mais expansionistas, uma desinflação mais lenta e alterações no funcionamento dos mercados globais de renda fixa modificaram padrões históricos de volatilidade e exigiram adaptações na leitura dos ciclos econômicos.

A XP Asset administra mais de R$ 200 bilhões em recursos, enquanto as estratégias macro representam aproximadamente R$ 700 milhões desse total. O novo modelo de cobrança vinha sendo testado desde 2025 e já foi incorporado a cinco carteiras. Outras duas, além das versões destinadas à previdência, ainda passarão pelo processo.

Os fundos de renda fixa ativa não terão as mesmas alterações. Esses produtos continuam com taxa de administração de 0,90% e cobrança de 15% de performance. Segundo a gestora, eles operam uma quantidade menor de mercados e apresentam volatilidade próxima de 2%, característica diferente das estratégias macro.

No cenário internacional, a XP Asset mantém uma visão de inflação americana persistente e de maior demanda por capital associada, entre outros fatores, aos elevados investimentos em inteligência artificial. A equipe mantém posições que se beneficiam de uma alta das taxas de juros em vencimentos intermediários nos Estados Unidos e zerou a exposição cambial internacional.

No Brasil, a gestora identifica sinais de desaceleração após o impulso fiscal e parafiscal de 2025, mas ainda adota cautela diante das incertezas domésticas. As carteiras mantêm uma pequena posição favorável à queda dos juros brasileiros e exposição comprada em dólar contra o real como instrumento de proteção.

A reformulação ocorre em um momento desafiador para os fundos multimercado, que vêm enfrentando resgates e maior concorrência de produtos de renda fixa em um ambiente de juros elevados. Ao alterar taxas, limites de risco e composição da equipe, a XP busca adaptar a estratégia a um investidor mais sensível à volatilidade e a resultados abaixo do CDI.

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