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IPCA cai a 4,44% em 12 meses e volta a ficar abaixo do teto da meta

Inflação ficou em 0,07% em julho e acumula 4,44% em 12 meses, primeira leitura abaixo do teto da meta desde abril, segundo o IBGE

A inflação brasileira voltou a ficar abaixo do teto da meta após dois meses consecutivos acima do limite estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 4,44% nos 12 meses encerrados em julho, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

É a primeira leitura abaixo de 4,5% desde abril, quando a inflação acumulada em 12 meses estava em 4,39%. Nos meses seguintes, o indicador avançou para 4,72% em maio e desacelerou para 4,64% em junho, permanecendo, nos dois casos, acima do limite superior da meta.

A desaceleração ganhou força com o resultado de julho. O IPCA avançou 0,07% no mês, enquanto em julho de 2025 a inflação havia sido de 0,26%.

Como o cálculo da inflação acumulada em 12 meses substitui mensalmente a leitura registrada no mesmo período do ano anterior, a saída da taxa de 0,26% de julho de 2025 e a entrada do avanço de apenas 0,07% de julho deste ano ajudaram a reduzir o indicador de 4,64% para 4,44%.

A meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o limite inferior é de 1,5% e o superior, de 4,5%.

Desde 2025, entretanto, o Brasil opera sob o regime de meta contínua. Nesse sistema, o cumprimento do objetivo não é mais avaliado apenas pela inflação registrada ao final de cada ano.

A meta é considerada descumprida quando a inflação acumulada em 12 meses permanece fora do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos. Por isso, a queda para 4,44% interrompe a sequência iniciada em maio de leituras superiores ao teto de 4,5%.

Apesar da melhora, a inflação ainda permanece distante do centro da meta de 3%. A evolução dos preços também continua sendo um dos principais fatores acompanhados pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para definir a trajetória dos juros.

Na semana passada, o Banco Central reduziu a Selic pela quarta reunião consecutiva, com corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica de 14,25% para 14% ao ano.

Na ata divulgada nesta terça-feira, o Copom reconheceu uma desaceleração recente da inflação e da atividade econômica, mas voltou a afirmar que os preços ainda sofrem pressão da demanda e que a política monetária precisa permanecer restritiva.

O colegiado também tem chamado atenção para a desancoragem das expectativas de inflação e para riscos associados aos preços do petróleo, às condições climáticas, ao câmbio e aos estímulos à demanda doméstica.

Além da desaceleração do indicador em 12 meses, os números do IBGE mostram uma inflação acumulada menor em 2026. Entre janeiro e julho, o IPCA avançou 3,44%.

Trata-se do menor resultado acumulado para os sete primeiros meses de um ano desde 2022, reforçando a perda de força da inflação observada nas leituras mais recentes.

A volta do IPCA para dentro do intervalo de tolerância representa, portanto, uma melhora importante na trajetória dos preços, mas ainda não significa que a inflação tenha convergido para o objetivo perseguido pelo Banco Central. Com o índice em 4,44%, a distância até o centro da meta de 3% permanece em 1,44 ponto percentual.

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