A Fitch Ratings elevou os ratings de crédito de longo prazo da Axia Energia (AXIA3) em moedas estrangeira e local de “BB-” para “BB”, refletindo a melhora da estrutura de capital da companhia e perspectivas mais favoráveis para sua geração de resultados nos próximos anos. A perspectiva dos ratings é estável.
A agência também elevou o Rating Nacional de Longo Prazo da Axia Energia e da Axia Energia Nordeste de “AA(bra)” para “AAA(bra)”, nível mais alto da escala nacional da Fitch.
A revisão considera o processo de fortalecimento financeiro da companhia, apoiado por desinvestimentos de ativos e pela expectativa de aumento dos preços de energia. A Fitch também vê potencial de expansão das margens à medida que uma parcela maior da capacidade de geração da Axia ficar disponível para negociação no mercado livre.
Nas projeções da agência, o Ebitda da Axia deve avançar de R$ 18 bilhões em 2025 para R$ 22,9 bilhões em 2026, crescimento de aproximadamente 27%. Para 2027, a estimativa sobe para R$ 25,4 bilhões e chega a R$ 26,5 bilhões em 2028.
A rentabilidade operacional também deve melhorar. A Fitch estima margem Ebitda superior a 55% nos próximos anos, acima dos 49,6% registrados em 2025.
Parte dessa expectativa está relacionada à maior quantidade de energia que ficará descontratada a partir de 2027, depois da migração de capacidade atualmente alocada no regime de cotas para o mercado livre.
A energia descontratada, já descontados os instrumentos de proteção financeira, deve representar 24% da garantia física da Axia em 2026. A participação pode aumentar para 43% em 2027 e alcançar 57% em 2028.
Na avaliação da Fitch, essa exposição cria potencial para a companhia capturar preços mais elevados de energia e obter margens superiores às de empresas do setor que possuem parcela maior da produção contratada antecipadamente.
A estratégia também aumenta, porém, a exposição às oscilações do mercado. A agência ressalta que os preços da energia devem continuar voláteis, principalmente em razão das condições hidrológicas, variável relevante para um sistema elétrico com forte participação da geração hidrelétrica.
Outro fator considerado no upgrade foi a evolução do endividamento. A Fitch espera que os indicadores de alavancagem da Axia permaneçam abaixo dos limites históricos considerados compatíveis com a atual classificação de risco.
A avaliação também incorpora a forte posição de liquidez da companhia e sua escala no setor elétrico brasileiro. A Axia é a maior empresa de geração de energia do país e mantém uma plataforma diversificada de ativos renováveis.
Além da geração, a presença relevante no segmento de transmissão contribui para aumentar a previsibilidade dos fluxos de caixa, uma vez que essa atividade possui receitas reguladas e menor exposição direta às oscilações dos preços de energia.
No caso da Axia Energia Nordeste, a Fitch igualou a classificação à da controladora. A decisão considera os vínculos estratégicos e legais entre as empresas e, principalmente, os elevados incentivos operacionais para que a Axia forneça suporte financeiro à subsidiária quando necessário.










