O Banco do Brasil (BBAS3) voltou a apresentar crescimento do lucro no segundo trimestre de 2026 depois de atravessar uma sequência de resultados pressionados pela deterioração da carteira de crédito. A instituição registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões entre abril e junho, avanço de 3,3% em relação ao mesmo período do ano passado.
Na comparação com os primeiros três meses de 2026, a melhora foi mais expressiva. O lucro aumentou 13,9%, sinalizando uma recuperação na margem após seis trimestres consecutivos de deterioração dos resultados.
Os números são acompanhados de perto pelo mercado porque o Banco do Brasil passou por uma mudança significativa de percepção entre os investidores nos últimos trimestres. Historicamente considerado uma das instituições mais previsíveis entre os grandes bancos brasileiros, o BB sofreu principalmente com a piora da qualidade do crédito ligado ao agronegócio.
O aumento da inadimplência nesse segmento exigiu maior volume de provisões para cobrir possíveis perdas e pressionou a rentabilidade da instituição.
Outro fator relevante foi a implementação da Resolução CMN nº 4.966/2021. As novas regras contábeis modificaram a forma como as instituições financeiras reconhecem perdas esperadas de crédito, aumentando a necessidade de provisionamento e acrescentando pressão aos resultados do banco.
A combinação desses fatores provocou uma sequência de revisões nas expectativas para o BB e enfraqueceu a percepção de que suas ações funcionariam como uma alternativa mais defensiva dentro do setor bancário.
Por isso, mais do que o crescimento anual de 3,3%, a alta de 13,9% do lucro na comparação trimestral ganha relevância. O resultado interrompe parte da trajetória negativa observada nos últimos períodos, embora ainda seja necessário acompanhar os próximos balanços para determinar se a melhora representa uma reversão consistente da deterioração da carteira.
Além do resultado, o Banco do Brasil anunciou uma nova distribuição aos acionistas. A instituição aprovou R$ 584,9 milhões em juros sobre capital próprio referentes ao segundo trimestre.
O pagamento corresponderá a aproximadamente R$ 0,10 por ação e está previsto para 11 de setembro.










