O Nubank encerrou o segundo trimestre de 2026 com o maior lucro de sua história e reforçou a melhora de rentabilidade em um momento de maior atenção do mercado à inadimplência e aos custos de expansão. O banco registrou lucro líquido de US$ 1 bilhão entre abril e junho, alta de 49% em relação ao mesmo período de 2025.
Foi a primeira vez que a instituição ultrapassou a marca de US$ 1 bilhão em lucro trimestral. O resultado também ficou acima dos US$ 991 milhões esperados, em média, pelos analistas consultados pela Bloomberg.
A rentabilidade avançou de forma relevante. O retorno sobre o patrimônio líquido, o ROE, chegou a 33%, aumento de 4,8 pontos percentuais em um ano e de 3,7 pontos frente ao trimestre anterior. O consenso de mercado apontava para um indicador próximo de 30%.
O desempenho foi sustentado principalmente pelo avanço das receitas e pela melhora da margem financeira ajustada ao risco, segundo o diretor financeiro Rob Livingston.
A receita total alcançou US$ 5,8 bilhões, crescimento de 39% na comparação anual e acima dos US$ 5,6 bilhões estimados pelo consenso da Visible Alpha. A receita financeira líquida de juros chegou a US$ 3,7 bilhões, alta de 9%.
Ao mesmo tempo, o banco continuou expandindo o crédito. A carteira total atingiu US$ 39,4 bilhões, crescimento de 37% em 12 meses e de 5% na comparação trimestral.
Desse total, US$ 26 bilhões estavam concentrados em cartões de crédito, US$ 10,3 bilhões em crédito sem garantia e US$ 3,1 bilhões em modalidades com garantia.
A expansão da carteira continua sendo acompanhada de perto pelo mercado por causa do risco de deterioração do crédito em um ambiente econômico mais fraco. No segundo trimestre, porém, os indicadores não apresentaram uma piora relevante.
A inadimplência acima de 90 dias subiu 0,3 ponto percentual, para 6,9%. Segundo o banco, o movimento refletiu principalmente a migração sazonal de atrasos registrados anteriormente.
Já os atrasos entre 15 e 90 dias ficaram em 4,8%. Embora o indicador tenha avançado 0,3 ponto percentual na comparação anual, houve queda de 0,2 ponto frente ao trimestre anterior.
O custo de crédito também apresentou melhora sequencial. O indicador caiu 9% em relação ao primeiro trimestre, para US$ 1,7 bilhão, beneficiado pela sazonalidade normalmente observada nos atrasos iniciais durante o segundo trimestre.
Na comparação anual, entretanto, o custo ainda cresceu 60%, refletindo a expansão do balanço e da carteira de crédito.
O Nubank também informou que o programa Desenrola contribuiu para o comportamento do crédito, embora tenha representado apenas cerca de 5% do custo total da carteira. Segundo Livingston, a melhora observada no trimestre teria ocorrido mesmo sem o programa, por causa dos efeitos sazonais.
Do lado das despesas, o avanço continuou forte. Os custos operacionais aumentaram 47,1% em um ano, para US$ 806,2 milhões. O crescimento está relacionado, entre outros fatores, à expansão das operações e aos investimentos realizados em novos mercados.
O Brasil permanece como o principal negócio do grupo. O banco encerrou o trimestre com quase 118 milhões de clientes no país, crescimento de 13% em um ano.
A instituição também continua avançando no México e na Colômbia. No mercado mexicano, o Nubank afirma já atender 16,5% da população adulta e ter alcançado uma monetização mais rápida do que aquela observada no Brasil em estágio semelhante de expansão.
O ARPAC, indicador que mede a receita média por cliente ativo, chegou a US$ 12,3 no México. No Brasil, no mesmo estágio de desenvolvimento da operação, esse indicador era de US$ 5,6.










