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Grupo Mateus sente consumo mais fraco no Nordeste e espera retomada

Vendas mesmas lojas do Grupo Mateus caíram 8% no segundo trimestre, mas margens melhoraram ante o início do an

A desaceleração do consumo, especialmente entre as famílias de menor renda do Nordeste, tornou-se o principal obstáculo para o Grupo Mateus recuperar seus resultados. Depois de atravessar o segundo trimestre com queda nas vendas das lojas maduras, a companhia avalia que já conseguiu avançar em eficiência e margens, mas depende agora de uma retomada da demanda para transformar esses ajustes em maior rentabilidade.

A avaliação foi apresentada pelos executivos do grupo durante teleconferência de resultados. Embora o desempenho do segundo trimestre tenha sido considerado fraco por analistas de bancos, alguns indicadores apresentaram recuperação em relação aos três primeiros meses de 2026, movimento que ajudou as ações da companhia no pregão após a divulgação dos números.

O presidente do Grupo Mateus, Jesuíno Martins Borges Filho, afirmou que a perda de ritmo do consumo foi percebida em todo o setor, mas atingiu de maneira mais intensa o Nordeste, região onde a companhia mantém forte presença.

“Quem tem menor renda sente mais, e canais que dependem dessa renda também são mais afetados, e nesse ambiente os itens de mercearia caem ainda mais”, afirmou.

A pressão aparece principalmente nas vendas das unidades que já operam há pelo menos 12 meses. O indicador de vendas mesmas lojas recuou 8% no segundo trimestre, resultado também influenciado pelo encerramento do modelo de televendas. Ainda assim, a receita líquida total avançou 12,2%.

Para a administração, o desafio deixou de ser apenas controlar despesas e passou a ser recuperar volume. A empresa entende que parte do trabalho necessário para melhorar a eficiência já foi realizada durante o período de demanda mais fraca.

“Não é simples gerenciar uma pressão tão grande no loja a loja dessa magnitude, mas temos trabalhado diversas métricas e quando a venda começar a melhorar vamos ter a capacidade de manter as despesas no eixo de hoje. E o lucro bruto vai ganhar corpo e naturalmente vai oxigenar o Ebitda”, afirmou o vice-presidente financeiro, Tulio de Queiroz.

Segundo o executivo, “o que precisa vir agora é retomada da venda”.

Os resultados sequenciais ajudam a explicar essa avaliação. A margem bruta alcançou 23,5% no segundo trimestre, acima dos 22,9% registrados entre janeiro e março. Na comparação anual, porém, houve redução de 0,3 ponto percentual.

A mesma dinâmica apareceu na margem Ebitda. O indicador ficou em 6,9% entre abril e junho, superior aos 5,8% do primeiro trimestre, embora tenha recuado 1,9 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano passado.

O lucro líquido também refletiu a perda de força operacional. O Grupo Mateus encerrou o trimestre com R$ 237 milhões, queda de quase 40% em um ano. O resultado foi afetado pela menor capacidade de diluir custos diante da desaceleração das receitas, além do desempenho financeiro menos favorável.

A administração pretende preservar os ganhos obtidos nas despesas enquanto trabalha para recuperar vendas. A estratégia inclui ações comerciais em conjunto com fornecedores e maior atenção às verbas comerciais, ao mesmo tempo em que a companhia busca proteger a margem bruta.

O problema é que essa recuperação depende também da situação financeira das famílias. Segundo Queiroz, o consumidor continua chegando às lojas com orçamento limitado, reduzindo a capacidade de resposta mesmo diante das iniciativas comerciais adotadas pela rede.

A companhia ainda considera o terceiro trimestre desafiador. Borges Filho afirmou, contudo, que já existem alguns sinais de melhora, sem detalhar quais indicadores sustentam essa percepção.

O presidente do conselho de administração, Ilson Mateus Rodrigues, reforçou que a prioridade é manter a evolução sequencial observada entre o primeiro e o segundo trimestre.

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