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Especialista vê investidor mais defensivo diante da volatilidade

No mercado doméstico, a ANBIMA registrou volume de R$ 8,5 trilhões aplicados por pessoas físicas em 2025

O investidor brasileiro está mudando de postura e os números confirmam essa transição. Dados do Banco Central mostram que os ativos mantidos por residentes brasileiros no exterior alcançaram US$ 654,5 bilhões em 2024, o maior patamar da série histórica, com mais de 29 mil pessoas declarando bens, direitos e investimentos fora do país.

No mercado doméstico, a ANBIMA registrou volume de R$ 8,5 trilhões aplicados por pessoas físicas em 2025, alta de 15,5% em relação ao ano anterior. A leitura combinada dos dois movimentos revela um investidor que cresce em patrimônio e, simultaneamente, busca distribuí-lo de forma mais estratégica, com menor concentração de risco e maior foco em preservação de longo prazo.

Para Adriano Murta, advogado tributarista e especialista em investimentos internacionais, essa transformação não é conjuntural. Ela reflete o acúmulo de ciclos sucessivos de volatilidade cambial, mudanças tributárias e incerteza macroeconômica que ensinaram o investidor brasileiro a olhar além da rentabilidade imediata. “Esse ambiente mostrou que buscar apenas a maior rentabilidade do momento pode expor o patrimônio a riscos excessivos. O investidor mais maduro não abandona a rentabilidade, mas passa a analisá-la em conjunto com liquidez, segurança jurídica, diversificação e preservação de capital”, explica.

A comparação de longo prazo reforça o argumento. Entre 2015 e 2025, o S&P 500 acumulou valorização de 235% em dólares, ao passo que o CDI entregou apenas 75% medido na mesma moeda. O Ibovespa, no mesmo intervalo, rendeu 182% em dólares. Para quem manteve o patrimônio integralmente no Brasil, parte relevante do crescimento global ficou fora do alcance. “A diversificação internacional reduz a dependência exclusiva do cenário doméstico e protege o patrimônio contra crises locais, inflação elevada e deterioração fiscal. Quando bem estruturada, funciona como instrumento de equilíbrio, e não como aposta contra o país”, afirma Murta.

Na prática, adotar uma estratégia de proteção patrimonial significa muito mais do que destinar recursos ao exterior. Envolve diversificar classes de ativos, moedas, instituições e jurisdições, além de estabelecer regras claras de governança, sucessão e liquidez. “Uma estrutura patrimonial bem planejada reduz a dependência de um único mercado e evita que decisões tomadas em momentos de pressão comprometam o planejamento de longo prazo. O objetivo é aumentar a resiliência do patrimônio diante de mudanças econômicas, familiares e regulatórias”, destaca o especialista.

Murta alerta, no entanto, para um erro recorrente entre investidores que buscam proteção patrimonial: a confusão entre exposição cambial e diversificação efetiva. “Ativos dolarizados podem contribuir para a diversificação cambial, mas não representam proteção automática. Em alguns casos, o investidor compra um produto ligado ao dólar, mas continua concentrado em riscos locais ou em uma única classe de ativos. A proteção patrimonial exige uma visão mais ampla, que combine moedas, mercados, instituições e objetivos. O dólar pode ser parte da estratégia, mas não deve ser confundido com uma solução isolada”, conclui.

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