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Itaúsa pode subir 44% com redução de desconto, diz JPMorgan

Itaúsa recebe preço-alvo de R$ 18,50 do JPMorgan após aportes de R$ 1,2 bilhão na Aegea e dividendo extraordinário de R$ 973 milhões da Itautec

O JPMorgan elevou de R$ 18 para R$ 18,50 o preço-alvo das ações preferenciais da Itaúsa (ITSA4) e manteve recomendação overweight, equivalente à compra. A nova projeção representa potencial de valorização de aproximadamente 44% sobre os R$ 12,84 registrados no fechamento de quinta-feira (27).

Um dos principais argumentos para a avaliação positiva está no desconto pelo qual a holding é negociada em relação ao valor líquido de seus ativos, conhecido como NAV. Esse desconto caiu de aproximadamente 24% em janeiro para 19%, mas o JPMorgan considera possível uma redução adicional para perto de 10%.

Na prática, esse indicador mostra quanto o mercado paga pelas ações da Itaúsa em comparação ao valor de suas participações. Quanto menor o desconto, maior tende a ser o valor atribuído à holding, mesmo sem necessidade de valorização equivalente das empresas que compõem seu portfólio.

Entre os fatores capazes de provocar esse movimento, os analistas liderados por Yuri Fernandes destacam uma mudança tributária esperada para 2027. O fim da atual ineficiência relacionada a PIS/Cofins poderia, isoladamente, reduzir o desconto da Itaúsa em aproximadamente cinco pontos percentuais.

O JPMorgan também vê espaço para aumento da contribuição das empresas não financeiras aos dividendos recebidos pela holding. A possibilidade de destravar valor em participações não listadas em Bolsa, como Aegea, Copa Energia e NTS, aparece como outro componente relevante para diminuir a dependência da Itaúsa em relação ao Itaú Unibanco e tornar mais visível o valor do restante do portfólio.

A Aegea ganhou maior peso nessa avaliação. A Itaúsa aumentou sua participação na companhia de saneamento de 12,8% para 14% depois de realizar aportes de R$ 1,2 bilhão neste ano. O JPMorgan também incorporou ao modelo o dividendo extraordinário de R$ 973 milhões recebido da Itautec.

O investimento na Aegea possui ainda um mecanismo de proteção previsto no acordo de acionistas. Caso o retorno da participação não alcance IPCA mais 15%, a Itaúsa poderá ampliar sua fatia na empresa às custas da Equipav, controladora da companhia de saneamento. Para o JPMorgan, essa estrutura adiciona proteção ao capital empregado pela holding.

Outro ponto favorável é a melhora do perfil financeiro. A Itaúsa alongou o prazo médio de sua dívida para 6,7 anos, com custo médio equivalente a CDI mais 1,11%, e não possui vencimentos relevantes até 2029. O alongamento reduz a pressão de refinanciamento no curto prazo e aumenta a flexibilidade para administrar investimentos e distribuição de recursos aos acionistas.

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