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XP vê pressão no Banco do Brasil mesmo após alta de 20% das ações

XP projeta melhora do crédito rural a partir do quarto trimestre, enquanto atrasos acima de 90 dias entre pessoas físicas chegaram a 8,4% no segundo trimestre

A recuperação das ações do Banco do Brasil (BBAS3), que já supera 20% desde as mínimas atingidas após o balanço, ainda não é acompanhada por uma melhora equivalente nos fundamentos do banco. Na avaliação da XP, problemas na carteira de pessoas físicas e limitações de capital podem retardar a recuperação dos resultados, mesmo com perspectivas mais favoráveis para o agronegócio.

A corretora atualizou suas estimativas para o BB e estabeleceu preço-alvo de R$ 21 por ação. A valorização recente de BBAS3 foi impulsionada também pelo chamado “trade eleitoral”, com investidores ajustando posições diante das pesquisas para a eleição presidencial.

No crédito rural, principal ponto positivo identificado pela XP, a expectativa é de que a Medida Provisória 1.376 contribua para reduzir a pressão sobre produtores endividados. O programa permite renegociações com entrada, prazos maiores e garantias adicionais, o que pode favorecer a qualidade da carteira agrícola do banco.

A combinação da MP com uma recuperação dos preços da soja e um real mais depreciado também pode melhorar a capacidade financeira dos produtores. A XP espera uma redução mais significativa do custo de risco do agronegócio a partir do quarto trimestre de 2026, com efeitos adicionais em 2027 e 2028.

Essa melhora, porém, deve levar algum tempo para aparecer nos balanços. Parte dos produtores adiou pagamentos e renegociações enquanto aguardava maior clareza sobre as novas condições. Por isso, a corretora ainda prevê pressão sobre os resultados no terceiro trimestre.

A própria administração do Banco do Brasil estima que cada R$ 1 bilhão em operações renegociadas pode acrescentar aproximadamente R$ 200 milhões ao lucro. O efeito final dependerá, entre outros fatores, do volume efetivamente incluído no programa e do desempenho posterior desses créditos.

Enquanto o agronegócio apresenta perspectiva de recuperação, a carteira de pessoas físicas passou a concentrar parte relevante das preocupações. A inadimplência acima de 90 dias subiu de 6,8% no primeiro trimestre para 8,4% no segundo, enquanto o índice de cobertura recuou cerca de 22 pontos percentuais, para 125,8%.

O fluxo de novos créditos inadimplentes também mais que dobrou no período, alcançando R$ 11,8 bilhões. Mais da metade do aumento veio dos cartões de crédito, embora a deterioração também tenha atingido os empréstimos consignados.

Segundo a XP, a expansão recente da carteira de cartões aumentou a base de clientes do banco, mas também incorporou grupos de maior risco. A expectativa, portanto, não é de retorno da inadimplência aos níveis historicamente baixos, mas de estabilização mais próxima dos padrões observados no restante do mercado.

Esse comportamento pode neutralizar parte dos ganhos obtidos com a recuperação do crédito agrícola e tornar mais gradual a retomada da rentabilidade. A XP também cita como fatores de cautela o cenário macroeconômico, os riscos de execução da MP 1.376 e a menor flexibilidade de capital.

A situação do capital também limita uma recuperação mais rápida dos dividendos. A corretora estima dividendo por ação de R$ 0,70 em 2026, R$ 1,20 em 2027 e R$ 1,60 em 2028, correspondentes a dividend yields projetados de 3,4%, 5,9% e 7,5%, respectivamente.

O payout estimado é de 24% neste ano e de 30% em 2027 e 2028. Na avaliação da XP, índices de capital mais baixos e menor patrimônio tangível devem levar a administração a continuar priorizando a preservação de capital.

Mesmo considerando um cenário mais adverso, a XP calcula que BBAS3 negocia a aproximadamente cinco vezes o lucro estimado para 2027, acima de sua média histórica. Para a corretora, isso reduz o espaço para uma reprecificação expressiva no curto prazo e ajuda a explicar a postura cautelosa mesmo depois da melhora das perspectivas para o agronegócio.

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