A primeira experiência de crianças e adolescentes com dinheiro está se tornando cada vez mais digital. Pesquisa da Serasa mostra que 28% das crianças já recebem mesada por Pix, conta digital ou cartão, enquanto 39% utilizam o Pix como meio de pagamento.
O contato com serviços financeiros também começa cedo. Segundo o levantamento, 73% tiveram acesso ao primeiro cartão ou conta antes dos 15 anos, indicando uma mudança na forma como os mais jovens aprendem a lidar com o próprio dinheiro.
Para Glaucia Soares, planejadora financeira da Fire|ce, a conta digital pode funcionar como uma nova etapa da educação financeira. Enquanto o cofrinho introduz a ideia de poupar e a mesada exige decisões sobre como gastar, as ferramentas digitais permitem acompanhar saldo, movimentações e planejamento.
Essa autonomia, entretanto, precisa ser acompanhada pelos responsáveis. Além das decisões financeiras, crianças e adolescentes precisam aprender cuidados relacionados à segurança, como não compartilhar senhas ou códigos, conferir os dados antes de realizar um Pix e desconfiar de pedidos de transferência.
O histórico de movimentações também pode ser utilizado como instrumento de aprendizado. Em vez de apenas fiscalizar os gastos, os responsáveis podem discutir quanto foi recebido, onde o dinheiro foi utilizado e quanto ainda resta para o período.
A necessidade de desenvolver esse hábito aparece nos dados sobre jovens adultos. Levantamento da CNDL e do SPC Brasil aponta que 47% das pessoas da Geração Z entre 18 e 24 anos não controlam as próprias finanças. Entre as razões estão falta de conhecimento, hábito ou disciplina.
O aprendizado pode acompanhar diferentes fases da infância. Para crianças menores, o dinheiro físico e o cofrinho ajudam a tornar o conceito de poupança mais concreto. A mesada acrescenta a necessidade de estabelecer prioridades e, posteriormente, a conta digital permite administrar recursos com maior independência.
Isso inclui aprender com decisões equivocadas. Se o adolescente utilizar toda a mesada antes do fim do mês, por exemplo, a situação pode servir para discutir orçamento, planejamento e consequências das escolhas, em vez de simplesmente repor o dinheiro.
Nesse processo, Pix, cartões e aplicativos não substituem a orientação financeira. As ferramentas ampliam a autonomia, mas o aprendizado depende de os jovens compreenderem que o saldo disponível é limitado e que cada decisão de consumo afeta os recursos destinados a outros objetivos.










